Como está a sua libido pela vida? Uma reflexão sobre o filme ‘Meu Nome é Agneta’

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Foto: Divulgação

Carina Yano/Tv Sobrinho –

Recentemente eu fui pega de surpresa por um filme. Assisti com a minha mãe, que inclusive foi escolha dela. Ela não havia visto ainda, mas ela escolheu maravilhosamente bem.

Meu Nome é Agneta’ é o nome da obra de arte. Um filme de comédia dramática sueco. Depois que assisti cheguei a conclusão que ainda existem filmes bons hoje em dia.

A personagem principal está quase nos seus 50 anos e se vê em uma vida estagnada. Perdeu o emprego e sua relação com o marido beira o polo norte pela frieza.

Imagem: Divulgação

Diante desse cenário, Agneta aceita um trabalho de Au Pair na Provença.

E assim começa uma jornada ao desconhecido com grandes surpresas.

A princípio ela achou que seria cuidadora de uma criança, mas se depara com um idoso excêntrico, autêntico e com uma beleza diferente (logo falarei sobre esta beleza). Mal sabia ela que dali surgiria uma amizade transformadora.

Agneta entra num processo de despertar, exploração e encontro. Ela era uma estranha para si mesma.

Quando olhou no espelho mal se reconhecia. Claramente mostrava alguém que estava distante de si mesmo por muito tempo.

Muitas pessoas passam por isso em algumas idades, principalmente quando estão próximas da velhice. E acredito que a crise aconteça, na grande parte, para as mulheres.

Mulheres que talvez viveram em contextos na qual tiveram que desempenhar um papel e nesse meio tempo foram se deixando de lado.

Einar (o idoso excêntrico) dá um presente a Agneta: a oportunidade dela se olhar, se sentir e de viver a vida.

Imagem: Divulgação

Entre eles não há romance, apenas amizade. Einar se apresenta como homossexual no filme.

Ele oferece sua amizade e tudo o que conhece de forma verdadeira para a transformação gradual de Agneta.

A convivência dos dois mostrou como a vida é pulsação, vulnerabilidade, movimento, hilária e dolorosa ao mesmo tempo.

Tem uma cena que é uma das mais lindas que já vi. Quando os dois começam a dançar de forma despretensiosa, apenas se entregando intuitivamente para os movimentos corporais. Um momento profundo e de muita sensibilidade.

Imagem: Divulgação

E isso me fez pensar sobre a beleza. O ponto que eu queria trazer.

A verdadeira beleza nasce da vitalidade. Einar era um idoso, mas pulsava vida. Ele não tinha a estética que muitos achariam bonito. Agneta também estava longe de qualquer padrão de beleza, mas a partir do momento que ela começou a se encontrar e sentir o gosto da vida, ela começou a ficar mais linda do que nunca.

A própria dança que traz este contato com o próprio corpo me fez pensar no quanto as pessoas estão desconectadas do próprio corpo.

Tem uma parte super cômica que eles começam a gritar “para o vento”: como está a minha libido? Kkk

Imagem: Divulgação

O que é essa libido? É essa energia vital.

O filme mostra a importância de se retirar de contextos onde há pessoas que te limitam. Mostra o quão importante é estar ao lado de pessoas que te expande, que te liberta, que te faça sentido e que vibre junto com você.

Agneta foi abençoada pela amizade de Einar, mas Einar também estava passando por um momento doloroso. Agneta o ajudou através do reencontro dele com o filho.

É realmente muito emocionante ver pessoas se ajudando de forma tão genuína e ficarem felizes de verdade uma pela outra.

Fica evidente no filme que nunca é tarde para recomeçar. Sempre há tempo de reconciliar, de se encontrar, de perdoar, de se libertar e de amar.

Agneta iria retornar para a sua cidade com o seu marido, mas ela entendeu que o “novo sempre vem”, e que não teria como voltar a uma vida na qual já não faz mais sentido. Ela se transformou, se apaixonou por si mesma e pela liberdade.

A cena onde ela se olha no espelho e mal se reconhece, mas logo em seguida se abraça, é uma das cenas mais memoráveis. É disso que todo mundo precisa. Esse carinho consigo mesmo nos leva ao encontro com a vida novamente. Agneta até encontrou um amor na nova cidade, muito ‘caliente‘ inclusive rs.

A expansão da vida pode causar medo, porque se movimentar dói, se esticar dói, existe desconforto, mas a repressão e a estagnação são coisas piores. Neste espaço nada acontece, é peso morto. Pior que morrer, é morrer em vida.

Vá viver!

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