A integridade do ser humano é compatível com o tanto de verdade que ele consegue suportar

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Foto: Carina Yano/Tv Sobrinho

Carina Yano/Tv Sobrinho –

Já dizia o aforismo da Grécia Antiga: “Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o universo e os deuses”.

Como podemos ver, esse movimento do autoconhecimento já é muito antigo. Até Jesus, em alguns dos seus ensinamentos, induzia que o conhecimento de si próprio é um reflexo do conhecimento de Deus.

Meu papel aqui não é falar sobre religião e nem induzir a você escolher x ou y caminho. A intenção é fazer você refletir sobre você mesmo.

Afinal, vamos conviver conosco até a nossa morte.

E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”.

Sinto que mesmo com toda essa movimentação de olhar para dentro, sempre existirá as distrações.

Se distrair de si mesmo hoje em dia é muito fácil. E o exercício do autoconhecimento também exige atenção, manutenção e movimento.

Para ser inteiro como ser humano, é necessário integrar tudo que existe em nós, ou seja, olhar para aquilo que negamos e aceitar que faz parte de quem somos.

Não estou dizendo para você ser passivo diante das suas falhas e defeitos com aquela mentalidade “ah, eu sou assim mesmo” ou “minha personalidade é muito forte”.

Sempre há espaço para a mudança, e aceitar quer dizer olhar com mais compaixão para aquilo que pode ser evoluído.

A vida tem muitas demandas. Trabalho, família, cuidar do corpo e da mente, espiritualidade, hobbys, lazer, casa, filhos e por aí vai. É compreensível que esse espaço seja pequeno diante das atividades externas.

Só que o que é mais importante para todo o resto existir se não nós mesmos?

Sempre pensei que a vida é pra quem está disposto. E de fato, o caminho do autoconhecimento não é apenas rodeado de flores. É cheio de espinhos, curvas, subidas e travessias.

Olhar para o vazio assusta e talvez seja por isso que o celular virou um “brinquedinho” de adulto para tapar o buraco interno, ou apenas sair do tédio. A modernidade te coloca uma responsabilidade grande sobre si mesmo, mas acredito que seja pelo caminho de construção, status, produtividade e tudo aquilo que você vê nas vitrines das redes sociais.

A responsabilidade da construção de quem você é, ainda está escassa.

É curioso o contraste que existe no oriente para o ocidente. Na cultura japonesa, a contemplação é algo necessário e importante. O espaço entre uma coisa e outra e o silêncio são coisas normais e apreciadas em algumas culturas.

É até compreensível para o brasileiro comum se preocupe somente com a sobrevivência. Não é preciso explicar muito sobre o porquê né? A realidade econômica do país é muito complexa.

Com tantas problemáticas, não existe espaço para estimular esses hábitos de conhecimento interno. Não há estímulos para raciocínio crítico. E é por isso que escrevo tanto sobre isso.

As vezes olhar para dentro dói. Nós preferimos nos acomodar e a acomodação é a morte.

A exploração desse universo interno é infinita, eu acredito que só acaba quando morremos e olha lá rs.

É preciso coragem e humildade para reconhecer que precisamos mudar e ser melhores. Ninguém nasceu pronto e ninguém morre pronto.

Eu sempre fui uma buscadora ao ponto de querer sempre entender o sentido das coisas. Já tive duas crises existenciais, e hoje penso que não foi uma experiência totalmente negativa.

É claro que a sensação é horrível, mas o pano de fundo mostra que existe algo a mais a ser explorado e compreendido. Nada tem ponta solta no universo.

De repente, essas crises eram um apontamento do meu espirito/alma dizendo que precisava de uma movimentação ou uma mudança de rota. Ou talvez um enfraquecimento espiritual. Quem sabe…

A questão é que quando você entra nessa jornada, não tem mais volta. “A mente que se abre a uma nova ideia jamais voltará ao seu tamanho original.” (Essa frase é atribuída ao Einsten, mas também é atribuída a outro autor).

Vai haver momentos que vamos querer resistir ao que estamos vendo. Haverá verdades (talvez não absolutas) sobre nós mesmos, que será desafiador lhe dar com elas, mas a escolha é de cada um.

Eu tenho uma frase tatuada na minha mão escrita em inglês: “Give me the truth” – tradução: me dê a verdade. Acabei se inspirado no filósofo Henry David Thoreau, que inclusive é citado no filme Into The Wild.

Parece uma frase simples, mas ela é profunda. O que é essa verdade? Ela é passível de transformação?

De alguma forma isso me fascina e sempre tive esse anseio de saber o que está atrás desse vel. E na minha cabeça as vezes surgia uns pensamentos que talvez exista verdades no mundo ou sobre nós mesmos que ainda ficam e estão camufladas. Ou talvez não estamos pronto para ver.

Talvez seja difícil demais olhar para elas.

Mas será que no fim da vida estaremos satisfeitos por ter vivido uma vida pela metade? Não sendo inteiro?

É sobre isso: a integridade do ser humano é compatível com o tanto de verdade que ele consegue suportar.

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