Tudo pelo corpo ‘perfeito’: morte de fisiculturista acende alerta sobre riscos na saúde

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Wanderson da Silva Moreira tinha 30 anos. — Foto: Redes sociais

Wanderson da Silva Moreira, de 30 anos, morreu após sofrer uma parada cardiorrespiratória, durante uma competição de fisiculturismo, em Campo Grande

Ge Globo MS –

A morte do fisiculturista Wanderson da Silva Moreira, de 30 anos, no sábado (10), em Campo Grande (MS), acendeu um alerta sobre os riscos envolvidos e os cuidados necessários à saúde dos atletas da modalidade.

Natural de Rondonópolis (MT), Wanderson morreu após sofrer uma parada cardiorrespiratória, durante uma competição de fisiculturismo, na capital de Mato Grosso do Sul. O caso foi registrado como morte natural.

O atleta fez três aparições durante uma transmissão feita pela organização do campeonato Pantanal Contest, no total de cerca de 14 minutos de apresentação.

Um dia antes das disputas, um dos organizadores usa a expressão “bomba de sódio” para descrever uma etapa da preparação, em vídeo publicado nas redes sociais.

“A gente não pode apresentar vocês com pintura mal feita, escorrendo, vocês na euforia, sem tempo para um belo aquecimento, uma bomba de sódio, um pump legal. Então precisa dar tempo de pintar, aquecer, fazer a bomba de sódio e entrar calmo no palco”, diz ele no vídeo.

Segundo o presidente da Federação de Culturismo e Fitness de Mato Grosso do Sul (IFBB-MS), Amado Moura, o termo “bomba de sódio” refere-se a uma técnica usada no fisiculturismo que consiste no aumento da ingestão de alimentos ricos em sódio combinado à redução do consumo de água.

O que é fisiculturismo? – Modalidade esportiva que tem como objetivo a evolução e a definição muscular de maneira simétrica, de modo que a proporção dos músculos sejam estéticos e harmônicos.

Médico do esporte, Vitor Moreira alerta que esse tipo de prática, quando realizada em excesso, pode representar sérios riscos à saúde.

“Esses métodos forçam os rins e podem alterar os eletrólitos — os minerais presentes no sangue. Alterações agudas, feitas de forma repentina, podem provocar arritmias e problemas cardíacos. Até pessoas sem doenças pré-existentes podem sofrer episódios graves nessas condições”, explicou.

Vitor destacou ainda que o uso de substâncias hormonais é comum na modalidade, mas alertou sobre os efeitos colaterais.

“É muito raro, quase inexistente, um atleta profissional chegar nesse nível sem o uso dessas substâncias. Até existe uma categoria de fisiculturismo que prega o natural, com aplicação de testes antidoping, mas como praticamente nenhuma federação realiza esse controle, a maioria — para não dizer todos — faz uso de diversos tipos de esteroides anabolizantes e outras substâncias”, afirmou.

Segundo amigos de Wanderson, ele tinha pressão alta. O médico alertou que os principais riscos associados à morte súbita estão ligados ao sistema cardiovascular.

“Os impactos mais graves envolvem o aumento da pressão arterial, alterações no perfil de colesterol — elevando o ruim e o bom —, além do risco de formação de trombos nas artérias e veias, o que pode levar a infartos e acidentes vasculares. Existe todo um processo inflamatório nos vasos que pode, sim, desencadear uma morte súbita”, conclui.

Quem era Wanderson?

Nas redes sociais, Wanderson divulgava sua rotina de treinos e competições. Ele venceu três vezes em 1º lugar na categoria Classic Physique, que visa resgatar a estética clássica dos anos 1970 e 1980. O atleta deixa esposa e dois filhos.

Antes de morrer, nas redes sociais, ele havia prometido à mulher que levaria o troféu para casa.

Hoje vim sem você, mas farei o possível para levar mais uma para casa”, escreveu em uma foto com a mulher.

Wanderson Da Silva Moreira e a esposa em uma publicação nas redes sociais. — Foto: Redes sociais
Wanderson Da Silva Moreira e a esposa em uma publicação nas redes sociais. — Foto: Redes sociais

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