Marketing pessoal: estratégia ou exagero?

0
87
Foto: Rose Domingues/Assessoria de Comunicação

Dayane Nascimento –

Em um mundo onde a visibilidade se tornou moeda social e profissional, o marketing pessoal ganhou um protagonismo antes reservado às grandes marcas. Hoje, médicos, professores, psicólogos, arquitetos, advogados – e até estudantes – são incentivados a “se posicionar”, “gerar valor” e “ser autoridade”.

O problema não está na ferramenta, mas em como ela vem sendo aplicada: com exageros, fórmulas vazias e perda de autenticidade. Afinal, até que ponto vale a pena se tornar uma marca?

Philip Kotler, referência mundial em marketing, já apontava que o conceito de marca pode ser aplicado a indivíduos, desde que se compreenda que uma marca não é apenas um logotipo ou uma embalagem. No livro Marketing 3.0 e 4.0, ele explica que pessoas, assim como marcas, precisam comunicar propósito, valores e diferenciais.

A lógica é simples, se as empresas devem se posicionar para se destacar, os profissionais também. Ter uma marca pessoal bem construída pode abrir portas, aumentar o reconhecimento e até gerar novas oportunidades de negócio ou carreira.

No entanto, o problema atual do marketing pessoal não está em sua prática, mas na forma como muitos têm levado essa ideia ao extremo — transformando não apenas sua imagem em marca, mas a si mesmos em produto, como se toda a identidade estivesse a serviço do mercado. Sim, veja o problema disso, estar a serviço do mercado é ser ditado por ele.

Chega a ser cansativo como as redes sociais viraram vitrines de autopromoção constante e exageros, um espaço onde as pessoas tentam vender uma imagem super produtiva, inspiradora e bem-sucedida. O problema é que tudo isso vai na contramão de estudos sobre vulnerabilidade e autenticidade.

Para a psicóloga Brené Brown, especialista no tema

 “as pessoas se conectam mais com quem é verdadeiro do que com quem parece perfeito”.

Mais do que uma “imagem bonita e perfeita”, ser referência em algo exige consistência, estudo e entrega real de valor. O que contrasta com uma tendência crescente de tentar “virar autoridade” antes de, de fato, construir repertório e experiência.

Outro ponto crucial que quero conversar com vocês: embora o marketing pessoal possa impulsionar seus resultados, ele não deve ser a única alavanca de vendas da sua empresa, ou seja, a sua empresa não pode depender só da sua imagem para obter sucesso no mercado.

É comum ouvir de empreendedores que, se não aparecem nos story, se não gravam vídeos, se não publicam com frequência, as vendas caem. Mas essa dependência é perigosa. Significa que não há um sistema de marketing estruturado e sim uma exposição contínua e cansativa como única forma de gerar receita.

A lógica tem que ser inversa, a rede social precisa trabalhar para você e não você trabalhar para a rede social. A marca pessoal pode ser uma ponte de conexão e confiança com seu público, mas o marketing da empresa deve ter outras bases de sustentação, tais como canais de tráfego, posicionamento de marca, estratégias de produto, atendimento, experiência do cliente, parcerias e reputação.

Se sua presença for o único motor do negócio, você se torna o gargalo da sua própria empresa. E isso, além de esgotar, limita o crescimento. Portanto, se essa situação acontece com você, repense seu marketing. Também esteja atento sobre o tipo de persona que criou, se ela reflete seus verdadeiros valores. Lembre-se que reputação se constrói com ações, não só com posts.

Diante de um cenário saturado de fórmulas prontas e visibilidade a qualquer custo, uma boa estratégia de marca pessoal precisa começar com autoconhecimento. É sobre reconhecer quem você é, o que acredita, o que tem a oferecer e com quem, de fato, deseja se conectar. A autenticidade não deve ser moldada artificialmente para se alinhar a uma estratégia, mas também não precisa ser vista como oposição a ela.

O ponto está em compreender que sua verdade pode não agradar a todos, e tudo bem. Em vez de tentar ser genérico para alcançar multidões, vale mais ser genuíno para um nicho que reconhece, valoriza e se conecta com quem você é. Há mais força em estar inteiro para poucos do que fragmentado para muitos.

Marketing pessoal, portanto, não é sobre parecer, é sobre ser para depois comunicar com clareza; é sobre coerência entre o que se é, o que se faz e o que se diz, o que nos exige consciência, reflexão e, principalmente, coragem para ser verdadeiro em um mundo que tantas vezes valoriza apenas a performance. Há quase 20 anos trabalhando com o marketing de empresas de Mato Grosso, acredito que possamos construir um legado de sucesso coerente e autêntico juntos!

Dayane Nascimento, consultora marketing com formação na UFMT, especialista em planejamento estratégico e economia comportamento pela ESPM/SP e empresária.

Obs. A nossa caixa de comentários está aberta mais abaixo, caso o leitor queira participar.

Artigo anteriorCCR MSVia realiza obras com pare-e-siga em Itaquiraí e Mundo Novo nesta terça (22)
Próximo artigoAtletas de Japorã são campeões em torneio de Muay Thai no Paraná

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui