
Veja abaixo como é o complexo processo para a escolha do novo papa
G1 –
A morte do papa Francisco, na manhã desta segunda-feira desencadeou homenagens pelo mundo. O papa morreu após um AVC cerebral seguido de um colapso cardiocirculatório, às 6h35 de Mato Grosso do Sul (2h35 de Roma).
Ele foi o primeiro papa latino-americano. Dom Ettore Dotti, bispo da Diocese de Naviraí e presidente da CNBB Regional Oeste 1 (MS) – são 19 regionais no país -, manifestou sua mensagem de pesar pela Páscoa do Papa Francisco.
No caso de Jorge Bergoglio, a escolha de “Francisco” como nome do então novo pontífice teve a influência de um “hermano” brasileiro: o cardeal Cláudio Hummes.
Em março de 2013, logo após ser eleito, o papa fez uma audiência no Vaticano com cerca de 6 mil jornalistas. Foi nesse dia que ele revelou o que o levou a escolher o nome “Francisco” e a importância do apoio de Cláudio Hummes.
“Na eleição, eu tinha ao meu lado o arcebispo emérito de São Paulo, um grande amigo. Quando a coisa começou a ficar um pouco perigosa, ele começou a me tranquilizar. E quando os votos chegaram a dois terços, aconteceu o aplauso esperado, pois, afinal, havia sido eleito o papa”, contou.
“Ele me abraçou, me beijou e disse: ‘Não se esqueça dos pobres’. Aquilo entrou na minha cabeça. Imediatamente lembrei de São Francisco de Assis.”
Hummes morreu em julho de 2022, aos 87 anos.
A palavra “conclave” vem do latim cum clavis e significa “fechado à chave”. É por meio dele que a Igreja Católica elegerá um novo pontífice em 2025.
Durante os dias de eleição, cardeais do mundo todo ficam fechados dentro do Vaticano, em uma área conhecida como “zona de Conclave”. Eles também fazem um juramento de segredo absoluto sobre o processo.
Atualmente, 135 cardeais com menos de 80 anos estão aptos a participar da eleição, sendo sete brasileiros. Veja a seguir:
- Leonardo Ulrich Steiner, arcebispo de Manaus, 74 anos.
- João Braz de Aviz, arcebispo emérito de Brasília, 77 anos.
- Paulo Cezar Costa, arcebispo de Brasília, 57 anos.
- Orani Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro, 74 anos.
- Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo, 75 anos.
- Jaime Spengler, presidente da CNBB e arcebispo de Porto Alegre, 64 anos.
- Sérgio da Rocha, Primaz do Brasil e arcebispo de Salvador, 65 anos.
Todos os cardeais que participam da eleição ficam impedidos de utilizar qualquer meio de comunicação com o exterior. Ou seja, eles não podem usar telefones, ler jornais ou conversar com pessoas de fora do Vaticano. Essas medidas foram adotadas para evitar que a votação seja influenciada.
As votações acontecem dentro da famosa Capela Sistina. Para ser eleito, um cardeal precisa receber dois terços dos votos que — são secretos e queimados após a contagem.
Ao todo, até quatro votações podem ser realizadas diariamente, sendo duas pela manhã e duas à tarde. Se, depois do terceiro dia de conclave, a Igreja continuar sem papa, uma pausa de 24 horas é feita para orações. Outra pausa pode ser convocada após mais sete votações sem um eleito.
Caso haja 34 votações sem consenso, os dois mais votados da última rodada disputarão uma espécie de “segundo turno”. Ainda assim, será necessário atingir dois terços dos votos para que um deles seja eleito.
Quando um cardeal é eleito, a Igreja questiona se ele aceita o cargo de papa. Se ele concordar, o religioso também precisa escolher um nome. Em seguida, ele é levado para um ambiente conhecido como “Sala das Lágrimas”, onde veste as vestes papais.
Por fim, o novo papa é anunciado à multidão que aguarda na Praça de São Pedro. O pontífice é apresentado diretamente da sacada da Basílica, onde é proclamada a famosa frase “Habemus Papam” (“Temos um Papa”).
‘Queria uma Igreja pobre, e para os pobres’
Em 2013, o papa também falou sobre o legado de São Francisco de Assis, que era um homem pobre. Segundo ele, a escolha do nome também refletia a visão que tinha para a Igreja.
“Eu queria uma Igreja pobre, e para os pobres”, disse, à época.
De fato, o mandato de Francisco foi marcado pela simplicidade e por um estilo de vida com muito menos privilégios do que seus antecessores. O papa sempre optou por vestes comuns e escolheu viver na Casa Santa Marta, uma residência mais modesta que o Palácio Apostólico do Vaticano.
Ao longo do tempo em que comandou a Igreja Católica, Francisco criticou o apego ao poder e cobrou que membros do clero tivessem uma vida mais simples e humilde.
“E vocês, bispos e sacerdotes, peço zelo apostólico, peço pobreza, nenhum luxo, pobreza com o povo pobre de vocês, que está sofrendo. Deem o exemplo de pobreza e humildade. Ajudem os fiéis e o povo a se erguerem e a serem protagonistas de um novo renascimento”, afirmou, em 2020.
Acréscimo (dois primeiros parágrafos): Jandaia Caetano/Tv Sobrinho
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