Chaves: a bondade humana, simplicidade no humor e valores atemporais

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Foto: Ilustrativa/Pinterest

Carina Yano/Tv Sobrinho –

Nos últimos quase 30 dias, eu retornei a assistir o Chaves, um seriado de televisão de comédia mexicano, escrito e dirigido por Roberto Gómez Bolaños. Tive a oportunidade de rever 7 temporadas.

O Chaves fez parte da infância de muita gente. O primeiro episódio foi lançado em 1973.

Por mais que o tempo passe, Chaves ainda consegue tirar boas risadas das pessoas. Justamente pelo seu humor simples, sem grandes críticas ou complexas demais.

Quando eu era criança, eu tinha uma visão do Chaves, mas assistindo agora adulta, a minha perspectiva mudou totalmente. Deu até vontade de tatuar algo relacionado ao Chaves.

O seriado reacende uma chama em nós. Aquela bondade genuína que existe nos seres humanos, mas que com o tempo foi sendo abafada e esquecida. Além disso é facilmente se emocionar em alguns episódios.

Por mais que todos os episódios houvesse caos, com o Chaves fazendo ‘cagada’ todas as vezes com os outros personagens, no final, tudo se resolvia de alguma forma. Mais que isso, mesmo com as intrigas entre a Dona Florinda e o Seu Madruga, havia episódios onde o amor e a bondade se prevaleciam e passava por cima de tudo. Isso era o que realmente importava.

O Chaves era um menino de oito anos órfão. Passava fome e aparentemente não tinha onde morar. Ele dizia que morava no oito, mas em nenhum momento este lugar foi mostrado. Só mostrava ele entrando em seu barril.

Mesmo retratando essa fragilidade do personagem, não colocava ele como uma vítima. Ele era sozinho, mas de alguma forma ele fazia parte daquela vila e da vida das pessoas que moravam lá. Não era apenas bonzinho, Chaves também tinha suas atitudes injustas e a própria vida lhe mostrava que certas atitudes eram erradas.

Roberto Gómez era muito justo em suas histórias, trazendo valores que são atemporais. A solidariedade e empatia estavam sempre presentes. A verdadeira amizade entre as crianças e o quão fiel elas eram. A compreensão e o espaço para o perdão e até o encantamento rotineiro de Dona Florinda e o professor Girafales.

Mesmo diante da pobreza, como o Senhor Madruga e o Chaves, ainda carregavam um espírito forte e cheio de humor. A dignidade continuava intacta.

Até porque o Senhor Madruga ainda consegue ser sincero dizendo que: “O trabalho não é ruim, o ruim é ter que trabalhar” kkk.

Honestamente chuto dizer que Roberto era um gênio diante de muita criatividade e originalidade.

Assistir novamente os episódios foi muito terapêutico pra mim. Além de boas risadas, me colocou em um mundo onde eu conseguia enxergar novamente a esperança na humanidade.

É também um convite a apreciar a humildade que reside em cada personagem.

Mesmo com suas versões atrapalhadas e iradas, também mostrava o quão eles poderiam ser melhores.

A Dona Clotilde mesmo sendo chamada de bruxa, ainda fazia bolo para o Senhor Madruga, mesmo sem paciência a Chiquinha abria espaço para tentar ensinar algo ao Chaves. O Kiko, apesar de ser mimado, ainda emprestava seus brinquedos para o Chaves.

O casal Dona Florinda e o professor Girafales, como citei acima, nos ensina como é importante manter este encantamento diário nas relações ou em qualquer coisa que seja. Era uma espécie de ritual quando os dois se viam. Parecia que eles sempre estavam se vendo pela primeira vez.

O Senhor Barriga, mesmo tão estressado por não receber os 14 meses de aluguel do Senhor Madruga (no episódio era a Bisavó da Chiquinha), ainda convidou todos os outros para passarem alguns dias na casa dele após o término da reforma da vila.

Em um episódio sobre o Natal, Chaves escreveu para o Papai Noel. Como muitas crianças, nós imaginamos que ele iria pedir brinquedos ou algo do tipo.

Porém, ele simplesmente queria um sanduíche de presunto. Ele só queria comer.

No fim ele desiste do pedido após ser convidado para jantar na Dona Florinda.

Para o Chaves, não era necessária muita coisa para ser feliz. Poderia ser só um sanduíche de presunto, um pirulito ou só uma vassoura para ele brincar de se equilibrar.

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