Carina Yano/Tv Sobrinho –
Era uma manhã fria e eu quase conseguia tocar o silêncio. Aquele silêncio dizia algo que eu não queria ouvir e nem acreditar.
Havia passado a madrugada inteira acordada em busca do que fazer para ajudar o meu cachorro que estava com dores. Eu ainda o escuto chorar.
Tudo foi muito rápido. Descobrimos que ele estava com a doença do carrapato e já era tarde.
Minha família imaginou que ele estaria magro por estar triste e com ciúmes do outro cachorro que temos, mas era pior do que imaginávamos.
Ele começou a ficar muito fraco. Percebi que ele começou a se afastar de casa. Naquele momento, confesso que imaginei que ele estava perto de falecer. Uma vez eu ouvi dizer que quando os cachorros se afastam da casa, nessas condições, normalmente é para morrer.
Não disse nada para ninguém, mas depois levamos ele ao veterinário. Ele afirmava com certeza que ele havia pegado a doença do carrapato e deu algumas medicações para o Jimmy.
Eu tentava entender o que mais poderia fazer, mas ele só disse para levar para casa e aguardar até o dia seguinte.
Fui para casa com esperança que ele iria melhorar, mas só piorou.
Ele não conseguia parar em pé e nem andar direito. Ele andava e caia.
Ele vivia na casa dos meus pais e eu passei a noite lá com meu namorado. Dormimos na sala junto com o Jimmy.
A noite foi longa. Passei a madrugada sem conseguir dormir e com muita dor de cabeça e na mandíbula. Inconscientemente eu estava tentando controlar o que estava acontecendo. Ouvir um animal chorar de dor é uma das piores coisas que já pude testemunhar.
A sensação de impotência tira o nosso chão. Eu entrava numa onda de questionamentos: o que eu posso fazer? Devo ligar para o veterinário? Acordar as pessoas em casa?
No meio da madrugada o Jimmy já estava no banheiro na caminha que deixamos. E lá ele ficou a madrugada toda.
O começo desse texto diz muito sobre o dia seguinte.
Eu não escutava mais nada. Sem choro, sem dor. O silêncio se anunciava em lágrimas.
Levantei e fui ver ele. Eu já sabia, mas não queria acreditar. Eu pedia desculpas para ele em prantos e dizia que sentia muito por aquilo.
Meu namorado e minha mãe tentavam me consolar dizendo que não havia mais nada a ser feito. De repente, o veterinário preferiu que ele estivesse próximo da família do que falecer sozinho.
Logo em seguida, meu pai meu namorado levou o Jimmy até o quintal para ser enterrado. Ele estava um pouco pesado. E assim ele se foi, tão rápido…em maio de 2025.
Eu acompanhei o início da vida dele até o fim. Escolhi o nome e vivi muita coisa com ele. Fico feliz pela passagem do Jimmy e por toda história que tivemos juntos.
Honestamente foram meses para eu processar esse luto. A sensação era como se alguém da minha família havia morrido. E de fato, ele era da família.
O depois, as vezes não é muito expressado pelas pessoas. Surgem pensamentos: será que eu fiz tudo que estava ao meu alcance? Aonde foi que eu errei?
Mas a vida tem dessas e ela é imprevisível. A morte simplesmente acontece. Não está no nosso controle.
Perder um cachorro é uma sensação diferente. Eles não podem falar, apenas expressar da sua forma o que sentem. E isso é um pouco angustiante.
Atualmente eu ganhei uma nova cachorrinha. Ela é maravilhosa e eu a amo.
Lembro que quando perdi o Jimmy, depois de um tempo eu senti vontade de ter um cachorro. Parece que de alguma forma eu estava buscando-o em outros cachorros.
Porém, nenhum cachorro substituiu o outro. Cada um é único.
A minha saudade do Jimmy será eterna. Um querido membro da família.
Hoje, seu nome está tatuado em mim, pra sempre!
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Quando perdi os meus dois primeiros gatos, eu senti um vazio que se confundia com saudade… Lembrei de quando os havia resgatado, especialmente o meu segundo gato. Eu encontrei ele dentro de um cano quando estava chovendo e chorei horrores pra que ele pudesse morar comigo e com os meus pais, até eles cederem…
Hoje em dia a memória deles nos alegra e conforta. Já fazem 9 anos. :’)