Empresa, agora rebatizada de Motiva, venceu leilão como única interessada e fica no comando da rodovia até 2054; Investimento inclui Cone Sul, de Mundo Novo a Naviraí
Jandaia Caetano/Tv Sobrinho –
Os deputados estaduais Lidio Lopes (sem partido) e Mara Caseiro (PSDB) veem omissão e mentira da concessionária Motiva, ex-CCR MS Via, para ser única interessada na concessão da Br-163 no estado. Mara citou que a empresa omitiu de lucro de mais de R$ 900 milhões e Lidio apontou que a empresa vende a informação de que a rodovia não dá lucro, aliada a possíveis interesses regionais por parte das empresas concessionárias do setor.
O leilão que ratificou o comando da Motiva até 2054 ocorreu na tarde desta quinta-feira na B3 (bolsa de valores), em São Paulo e foi o primeiro no novo formato simplificado, onde o governo federal realiza com a concessionário um modelo negociado previamente, mas abre a concorrência para outras empresas que deveriam apresentar preço do pedágio menor do que a atual administradora da rodovia para vencer a concessão (o modelo ainda prevê possibilidade da atual gestora da rodovia cobrir o preço da concorrente).
Com pedágio de R$ 7,52 para cada 100 quilômetros, a Motiva venceu o leilão, como única participante. Em Mundo Novo a empresa deve extinguir a sua praça de pedágio entre Mundo Novo e Eldorado e construir uma entre Mundo Novo e Guaíra, de olho no acesso ao Paraguay dos turistas paranaenses (A Tv Sobrinho entrou em contato com a empresa, mas não recebeu resposta). Este trecho deve receber duplicação. Uma parte entre Mundo Novo e Eldorado também deve haver investimento, assim como um pedaço já iniciado entre Itaquiraí e Naviraí.
Ministro dos Transportes cita “grata surpresa”; confira os investimentos

O ministro dos Transportes Renan Filho cita que o formato será uma grata surpresa e serve para evitar que a rodovia simplesmente volte para as mãos do governo federal, sem perspectiva de investimentos. Ao contrário da concessão original que previa duplicação total, a Br-163 em MS agora terá 210 km de duplicações, 170 km de faixas adicionais, 141 obras de arte especiais (entre pontes e viadutos), 259 acessos, 128 pontos de ônibus, 44 passarelas de pedestres e 17 passagens de fauna. A empresa só duplicou 150 quilômetros dos 845,9 previstos no primeiro contrato (17% do total). Dos R$ 17 bilhões previstos até 2054, R$ 9,3 bilhões deverão ser aplicados nos primeiros nove anos.
A empresa promete começar os investimentos no próximo mês, antes mesmo da assinatura oficial do aditivo, marcado para agosto. O novo contrato prevê duplicação automática em caso de trechos com tráfego superior a 7 mil veículos por dia e terceira faixa para tráfego superior a 3 mil veículos ao dia.
A CCR apresentou a ‘devolução amigável’ da rodovia Br-163 em Mato Grosso do Sul no ano de 2019, por considerar o contrato assinado em 2014 deficitário, diante de uma afirmada queda de movimentação de veículos após a inauguração do Complexo Intermodal de Rondonópolis (os caminhões e carretas passaram a buscar o local, ao invés da rota direta via Porto de Paranaguá). Porém, o complexo foi inaugurado em setembro de 2013 e a CCR assegurou a concessão em dezembro do mesmo e ano, ou seja, após a inauguração do Intermodal, apontado pela empresa como uma das causas do ‘prejuízo’.
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