Primeira quinzena do ano foram registrados 16 suicídios no MS, segundo dados da Sejusp
Carina Yano/Tv Sobrinho –
Na manhã da última segunda-feira, em Iguatemi, o corredor de rua Pedro Gonçalves Ferreira, de 63 anos, tirou a própria vida em sua residência.
De acordo com a ocorrência policial registrada na Delegacia de Polícia Civil, a esposa achou o corpo de Pedro pendurado (enforcado).
Segundo A Gazeta News, Pedro sofria de depressão, mas não se abria com os amigos.
Nas redes sociais, amigos e familiares lamentaram sem acreditar o que havia acontecido e também prestaram homenagens. Alguns comentários relatavam que Pedro não aparentava estar sofrendo e apontava a depressão como ‘silenciosa’.
O corpo de Pedro foi velado no Memorial Municipal, em Iguatemi. O sepultamento ocorreu na manhã desta terça, às 08h30, no cemitério local.
“Pedrinho Colchões” como era conhecido entre os amigos, atuava na área de venda de colchões e travesseiros magnéticos. Sempre representou Iguatemi em corridas pedestres, fator que levou a ficar conhecido na região.
Pedro também já morou em Mundo Novo e era conhecido como ‘Doca’. Ele deixou esposa e um filho, André Gonçalves.
Crise de saúde mental
Em janeiro deste ano, dados do Ministério Público apontou que 16 municípios do MS ainda não possui o CAPS (Centros de Atenção Psicossocial).
Para tentar suprir a demanda do interior, quatro dos principais municípios do Estado (Campo Grande, Dourados, Três Lagoas e Corumbá), possuem residências terapêuticas, que funcionam como moradia alternativa.
Somente na primeira quinzena do ano foram registrados 16 suicídios em Mato Grosso do Sul, conforme dados da Sejusp (Secretária Estadual de Justiça e Segurança Pública). Em 2024, foram 286 casos, um aumento de 68% em comparação a 2023.
Na última segunda-feira, dados do Ministério da Previdência Social registraram 8 mil afastamentos do trabalho em MS por questões de saúde mental em 2024.
De acordo com o governo federal, a ansiedade lidera o ranking das doenças, com 2.516 concessões, seguida da depressão, com 2.408 pedidos de afastamentos ao longo do ano passado. (G1)
O Brasil alcançou uma situação inédita no último ano, de acordo com dados exclusivos do Ministério da Previdência Social. Em 2024, foram concedidas 472.328 licenças médicas devido a transtornos mentais no país. (G1)
Os transtornos mentais são multifatoriais e não há uma explicação única para o que está acontecendo. Especialistas ouvidos pelo g1 destacam algumas questões, entre elas as cicatrizes da pandemia. Algumas delas são:
- O luto pós pandemia, que causou mais de 700 mil mortes.
- Estresse emocional após a crise, com anos de isolamento.
- Insegurança financeira com o aumento do custo de vida. De 2020 até 2024, o preço dos alimentos subiu 55%;
- Aumento da informalidade;
- E o fim de ciclos. Na pandemia, por exemplo, houve um aumento de 16% nas separações.
Obs. A nossa caixa de comentários está aberta mais abaixo, caso o leitor queira participar.
*O material pode ser reproduzido, desde que seja dado os créditos, com o nome do autor e da empresa, no início da matéria, como no exemplo deste conteúdo. Caso esta prática não seja respeitada – com o nome ao final do texto somente – o conteúdo acima está desautorizado para reprodução, podendo sofrer consequências judiciais. A prática existe para preservar o investimento feito pela Tv Sobrinho no seu Jornalismo.
Fonte: G1 / Campo Grande News



