Mauricio Collin/TV Sobrinho –
Sentado à sombra da velha mangueira,
ali estava eu:
cansado, encolhido,
feito bicho que se esgueira.
Cheguei antes do sol,
quase beirando o arrebol,
mas em tempo ainda de ser contemplado
com um gracejo da lua,
que me deixa sempre admirado: exibe o brilho de uma estrela toda nua,
ainda que a luz
não seja sua.
Aves voando ligeiras me lembraram a vida:
célere como o bater de suas asas,
nos embarca e decola numa trajetória desconhecida.
Ainda ontem corria atrás da bola,
sonhava em voar e fugir sobre os muros da escola.
Hoje corro em cima do ponteiro da hora.
Meu tempo é meu guia,
tornei-me escravo do dia a dia.
Adolescência e juventude,
Fases inesquecíveis
cheias de atitude,
muita música e alegria
Rompiam a madrugada
Até raiar o dia
Sonetos e antigas canções,
em vozes afinadas ganhavam destaque,
regidas ao som dos violões,
escoltadas pelas batidas do atabaque.
A vida é uma viagem longa
que passa depressa,
corrida desenfreada,
onde o dia da partida
se confunde com a hora da chegada.

Mauricio Collin – 57 anos, nascido em Curitiba, guairense de coração e
japoraense por opção. De família de escritores, carrega no DNA a necessidade de escrever. Já fez textos para rádio, já fez textos para jornal e, em outubro de 2025, publicou seu primeiro livro: Quem Vê Poesia, Vê Coração. Traduzir sentimentos em palavras é sua especialidade.
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