PMA não foi acionada e soube do caso por vídeos publicados nas redes sociais; animal é classificado oficialmente no Brasil como uma espécie vulnerável ao risco de extinção
Raysa Almeida/Tv Sobrinho –
Um lobo-Guará foi avistado na noite da última terça-feira (6), na Avenida Manoel Mendes, próximo à Arena Beach, em Mundo Novo. O registro chamou a atenção de moradores e levantou novamente a discussão sobre a presença de animais silvestres em áreas urbanas da região.
Após o avistamento, a reportagem entrou em contato com a Polícia Militar Ambiental de Mundo Novo para verificar se a equipe havia sido acionada para atender à ocorrência. Segundo a corporação, nenhuma guarnição foi chamada durante a noite de terça-feira. A PMA informou que tomou conhecimento do caso somente por meio de vídeos publicados no Instagram.
De acordo com a Polícia Ambiental, o lobo-guará foi apenas avistado na área urbana e existe a possibilidade de que tenha retornado para alguma área de mata. Como não houve acionamento, a equipe não realizou atendimento, captura ou qualquer tipo de intervenção relacionada ao animal.
A PMA também reforçou que permanece à disposição da população para eventuais ocorrências envolvendo animais silvestres. Em situações semelhantes, a orientação é evitar a aproximação e não tentar capturar, alimentar ou perseguir o animal.
Presença da fauna em áreas urbanas
O aparecimento do lobo-guará em Mundo Novo não é um caso isolado de aproximação da fauna silvestre com áreas ocupadas pelo homem.
Em 2023, a Polícia Militar Ambiental de Mundo Novo foi acionada para capturar uma sucuri-verde de aproximadamente quatro metros, encontrada nas proximidades de uma residência em uma chácara ligada à área urbana do município. Após a captura, o animal foi devolvido a uma área de vegetação às margens do Rio Paraná.
Em Iguatemi, também houve registros de animais silvestres próximos a locais frequentados pela população. Em 2022, uma onça-parda filhote, debilitada e acuada por cães em uma propriedade rural, foi resgatada pela PMA de Mundo Novo e encaminhada para atendimento em uma estrutura de reabilitação em Itaquiraí.
No mesmo ano, uma sucuri-amarela de aproximadamente dois metros foi encontrada dentro de um clube de Iguatemi e posteriormente solta em uma área de vegetação próxima ao Rio Iguatemi.
Em Naviraí, também existem registros de animais silvestres chegando ao perímetro urbano. Em 2021, durante um período de incêndios em terrenos e áreas de preservação, o Corpo de Bombeiros relatou que animais estavam deixando seus habitats e procurando abrigo em residências, empresas e escolas. Entre os casos estava uma raposa-do-campo encontrada nas dependências de uma escola.
A Polícia Militar Ambiental também possui registros de resgates e capturas de animais silvestres em diferentes municípios de Mato Grosso do Sul. Em levantamento referente a 2021, foram registrados milhares de atendimentos relacionados à fauna.
Por que animais estão aparecendo nas cidades?
A aproximação de animais silvestres de áreas urbanas pode estar relacionada a diferentes fatores, entre eles a redução e fragmentação dos ambientes naturais, queimadas, alterações no uso do solo e a expansão das cidades.
Com a diminuição das áreas de vegetação e a interferência humana nos habitats, os animais podem acabar se deslocando em busca de alimento, abrigo ou novas áreas para sobreviver.
Lobo-guará está ameaçado
O avistamento também chama atenção para a necessidade de preservação da espécie. O lobo-guará (Chrysocyon brachyurus) é o maior canídeo da América do Sul e está classificado como Vulnerável (VU) na lista nacional de espécies ameaçadas, segundo o ICMBio.
Na avaliação global da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), a espécie é classificada como Quase Ameaçada (NT).

Foto de Adriano Gambarini
Entre as principais ameaças estão a perda e fragmentação dos habitats, atropelamentos, incêndios e conflitos relacionados à expansão das atividades humanas.
Além de ser uma espécie característica do Cerrado, o lobo-guará exerce uma função importante no equilíbrio dos ecossistemas, inclusive na dispersão de sementes por meio da alimentação.
Por isso, apesar de um avistamento como o registrado em Mundo Novo despertar a curiosidade da população, a recomendação é manter distância e não tentar se aproximar, perseguir, alimentar ou capturar o animal.
Fontes: ICMBio, Polícia Militar Ambiental de Mato Grosso do Sul, Corpo de Bombeiros Militar de MS e IUCN.
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