Um ano da canonização de Carlo Acutis: a história por trás do milagre

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Pessoa segura uma obra de arte com o rosto de Carlo Acutis no dia em que o papa Leão XIV celebra uma missa solene pela canonização do jovem — Foto: Matteo Minnella/Reuters

Conhecido como o “padroeiro da internet”, jovem italiano teve o primeiro prodígio reconhecido após prece de criança em capela da capital. Cura de menino de 3 anos foi reconhecida pela Igreja Católica como o primeiro milagre

g1 ms-

Há um ano, a Igreja Católica transformava oficialmente Carlo Acutis em santo. Mas, muito antes da cerimônia no Vaticano, a história do jovem italiano já havia cruzado o caminho de Mato Grosso do Sul.

Foi em uma pequena capela de Campo Grande que, em 2013, aconteceu o que a Igreja considera o primeiro milagre atribuído à intercessão de Carlo Acutis: a cura de Matheus Vianna, que tinha apenas 3 anos e sofria de uma doença grave no pâncreas.

A história de uma criança do interior do Brasil e de um adolescente italiano morto aos 15 anos acabou chegando ao Vaticano e se tornou uma das etapas que levaram Carlo Acutis à canonização.

Nesta segunda-feira (7), exatamente um ano após a cerimônia que o declarou santo, a ligação entre Campo Grande e o Vaticano volta a ser lembrada pelos fiéis.

A criança que tocou uma relíquia e parou de vomitar

Menino que recebeu milagre na inauguração do altar para beato em MS — Foto: Marcelo Tenório/Arquivo Pessoal
Menino que recebeu milagre na inauguração do altar para beato em MS — Foto: Marcelo Tenório/Arquivo Pessoal

Era 12 de outubro de 2013 quando a família de Matheus levou o menino à Capela Nossa Senhora Aparecida, em Campo Grande. Na época, ele enfrentava sérios problemas de saúde.

Matheus sofria com vômitos constantes, pneumonias e perda de peso. Aos 2 anos, pesava apenas 9 quilos e precisava ser internado com frequência.

Na capela, havia uma relíquia de Carlo Acutis: um pedaço de roupa que havia sido usado pelo jovem italiano.

Durante a oração, a família pediu a intercessão de Carlo. Diante da relíquia, Matheus fez um pedido simples: queria parar de vomitar.

Segundo o relato da família, depois da oração, o menino voltou para casa e pediu comida. Ele conseguiu comer sem passar mal.

Dias depois, novos exames surpreenderam os médicos ao não apontarem mais a alteração no pâncreas que vinha causando os problemas.

“O garoto estava raquítico e tinha problemas sérios de saúde. Logo após tocar a vestimenta, ele foi curado”, contou o padre Marcelo Tenório ao g1, em 2019.

O caso foi encaminhado para análise da Igreja Católica e passou por uma investigação. Em 2019, o Vaticano reconheceu oficialmente a cura como um milagre atribuído à intercessão de Carlo Acutis. O reconhecimento foi decisivo para que o jovem italiano pudesse ser beatificado.

Hoje, Matheus tem 15 anos, estuda e, segundo a avó, Solange Vianna, leva uma vida normal.

O segundo milagre levou Carlo Acutis à canonização

O primeiro milagre reconhecido pela Igreja abriu o caminho, mas foi necessário um segundo caso para que Carlo Acutis pudesse ser declarado santo.

A segunda história aconteceu na Costa Rica e envolveu Valeria Valverde. Em 2022, enquanto estudava em Florença, na Itália, Valeria sofreu um grave acidente de bicicleta e teve traumatismo craniano. Ela entrou em coma.

A mãe da jovem foi até Assis, onde está o túmulo de Carlo Acutis, e rezou pela recuperação da filha.

Pouco tempo depois, Valeria começou a apresentar sinais de melhora. Voltou a respirar sozinha, abriu os olhos e começou a falar. Exames posteriores indicaram que ela havia se recuperado sem as sequelas cerebrais esperadas para a gravidade do acidente.

O Vaticano reconheceu o caso como milagre em 2024.

Com dois milagres oficialmente reconhecidos, Carlo Acutis teve o caminho aberto para a canonização.

De adolescente apaixonado por tecnologia a santo

Pessoa segura uma obra de arte com o rosto de Carlo Acutis no dia em que o papa Leão XIV celebra uma missa solene pela canonização do jovem — Foto: Matteo Minnella/Reuters
Pessoa segura uma obra de arte com o rosto de Carlo Acutis no dia em que o papa Leão XIV celebra uma missa solene pela canonização do jovem — Foto: Matteo Minnella/Reuters

Carlo Acutis morreu em 12 de outubro de 2006, aos 15 anos, vítima de leucemia. Nascido em Londres e criado na Itália, ele ficou conhecido pela devoção à Igreja Católica e pelo interesse por computadores.

Ainda adolescente, usava a internet para pesquisar e organizar informações sobre milagres eucarísticos. Criou um catálogo com relatos de diferentes partes do mundo e utilizava a tecnologia para divulgar a fé.

Por causa disso, acabou sendo chamado por muitos fiéis de “padroeiro da internet”.

A história chamou a atenção especialmente de jovens católicos, que passaram a enxergar em Carlo alguém que viveu a fé utilizando ferramentas comuns da adolescência do século 21.

Ele foi beatificado em 2020 e, em 7 de setembro de 2025, foi canonizado em uma cerimônia no Vaticano.

A partir daquele momento, Carlo Acutis passou a ser oficialmente reconhecido como santo pela Igreja Católica.

Um ano depois, Campo Grande ainda guarda parte dessa história

 

O corpo de Carlo Acutis em seu túmulo em Assis, Itália. — Foto: Tiziana FABI / AFP

O corpo de Carlo Acutis em seu túmulo em Assis, Itália. — Foto: Tiziana FABI / AFP

A relação de Carlo Acutis com Mato Grosso do Sul não terminou depois do reconhecimento do milagre.

Na Capela Nossa Senhora Aparecida, ligada à Paróquia São Sebastião, os fiéis ainda encontram relíquias relacionadas ao santo.

O local mantém uma relíquia de primeiro grau, um fragmento do corpo de Carlo Acutis. Também há um pulôver azul doado pela família do santo à paróquia. A peça é considerada uma relíquia de segundo grau por ter tido contato direto com o corpo de Carlo.

A capela se tornou um lugar de oração e visitação para pessoas que querem conhecer o ponto onde aconteceu a história que, anos depois, chegaria ao Vaticano.

Para os fiéis, o que aconteceu em 2013 ganhou outro significado depois da canonização.

Uma criança de 3 anos que sofria com uma doença grave, uma oração diante de uma relíquia e a história de um adolescente italiano se transformaram em um caso analisado pela Igreja Católica e reconhecido como milagre.

Um ano depois de Carlo Acutis se tornar santo, Campo Grande continua sendo uma peça importante dessa história: foi em Mato Grosso do Sul que aconteceu o primeiro milagre reconhecido pela Igreja que ajudou a levar o jovem italiano aos altares.

Nesta segunda-feira (7), a Paróquia São Sebastião realiza uma celebração para marcar um ano da canonização. A programação começa às 18h30, com o Terço do Milagre, e segue às 19h, com missa de ação de graças, na matriz, na Rua Minas Gerais, 549.

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