O amor é muita coisa…

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"O amor é a única coisa que somos capazes de perceber que transcende as dimensões do tempo e do espaço.." (Foto: Ilustrativa/Pinterest)

Carina Yano/Tv Sobrinho –

Como dizia Renato Russo: “Quem inventou o amor? Me explica por favor”.

Eu diria que não há tantas explicações. Talvez precise mais de esclarecimentos sobre quem somos.

Antes de tentar compreender, existe o sentir. Tem coisas que não precisam ser racionalizadas e sim sentidas.

O mundo anda mais “conectado” e paradoxalmente mais carente. Isso é resultado de pessoas que se esqueceram de se conectar com o próprio coração. Com a própria pulsação.

Foto: Ilustrativa/Pinterest

Compreender o amor consiste em lembrar que o amor também é uma escolha, construção e manutenção.

Diferente de alguns filmes ou os próprios contos de fada, o amor está incluso em bastidores que ninguém vê. Quando a coisa aperta, quando a vulnerabilidade entra em cena, quando o dia está dificil e quando os defeitos do outro se escancaram na sua frente.

Pelo jeito, o amor é pra quem tem coragem. É de fato um risco. Um salto de fé.

Acabamos exigindo demais do amor e daí brota toda a complicação que criamos em torno dele. O amor existe para amarmos. Só isso.

Cada individuo terá a sua própria forma de amar. Isso é indiscutível. Porém, a linha tênue fica entre o amar de fato e o amar com traços de idealizações, manipulações e egoísmo. Nessa história entra os limites, daí é outra história.

Mas como temos as nossas próprias complexidades, acabamos projetando muito em cima do outro. Como se fosse responsabilidade do outro nos fazer feliz ou resolver as nossas questões.

Ninguém irá preencher o vazio que habita em você. Somos seres de desamparo.

Mesmo estando com o outro, ainda podemos sentir solidão. E isso não significa necessariamente algo negativo.

É natural que o vazio existencial apareça. Faz parte da condição humana.

A psicanalista Ana Suy fala muito sobre a ilusão da completude dentro dos relacionamentos. É importante sempre lembrar de que somos seres inteiros escolhendo dividir a vida com outro ser inteiro.

Mas mesmo sendo inteiro, sempre irá residir em nós uma falta. Não será preenchida pelo outro, mas não significa que não é incrível dividir a vida com alguém.

Na minha concepção, o amor é uma miscelânea misturada com maturidade emocional, sorte, escolha e responsabilidade.

Acho que a sorte entra nesse caldo, justamente pelo fato da possibilidade de encontrar alguém com quem podemos ser quem somos. Sem mascaras. O prazer de dividir a existência, por muitas vezes dura, com alguém que pode ser o nosso conforto, o nosso refúgio.

Foto: Ilustrativa/Pinterest

A jornada do amor nem sempre vai ser fácil. Acredito que terá momentos de confronto, principalmente com nós mesmos.

A troca com o outro nos mostra coisas sobre nós que mal sabíamos. A experiencia do amor pode ser avassaladora, perturbadora e caótica. É preciso muita maturidade para atravessar esse fogo.

O amor pode não ser uma escolha consciente, mas ele é o que acontece quando estamos vivendo a nossa vida extraordinariamente comum.

Já errei muito no amor e ainda erro. Quem sabe o amor também pode ser um aprendizado…

Foi através do amor que pude confrontar minha própria arrogância, meus grandes medos e inúmeras outras falhas.

Foi por causa do amor que eu enxerguei que eu não precisava ser perfeita para ser amada.

O amor precisa ser livre. Não devemos tentar colonizar o outro.

No amor, é necessário ter disposição para enxergar a outra pessoa. E sem essa de que você precisa aprender a ser feliz sozinho para depois deixar alguém entrar na sua vida.

Claro que é importante cultivar a própria individualidade antes, durante e pós relacionamentos, mas que seja importante não construir uma rigidez em torno daquilo que acontece espontaneamente em nossas vidas.

É, o amor é muita coisa…

Amor é compreensão, conhecimento e entrega. Ele te faz olhar para além do seu próprio umbigo. E isso já diz muita coisa.

Não tenho respostas concretas e nem verdades absolutas a respeito do amor, mas creio que ele exista para sermos seres humanos melhores: com nós mesmos e os nossos semelhantes.

*O material pode ser reproduzido, desde que seja dado os créditos, com o nome do autor e da empresa, no início da matéria, como no exemplo deste conteúdo. Caso esta prática não seja respeitada – com o nome ao final do texto somente – o conteúdo acima está desautorizado para reprodução, podendo sofrer consequências judiciais. A prática existe para preservar o investimento feito pela Tv Sobrinho no seu Jornalismo.

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