Prefeitura alega adequação legal e equilíbrio das contas públicas; projeto altera regras de horas extras e adicionais de férias
Os profissionais da educação básica de Naviraí decidiram paralisar as atividades no dia 1º de junho de 2026, com mobilização prevista na Câmara Legislativa do Município. A decisão foi tomada em assembleia geral realizada na última quarta-feira (27), na sede do SIMTED, e comunicada nesta quinta-feira (28), por meio do Ofício Circular nº 006/2026, encaminhado às escolas da Rede Municipal.
A assembleia também contou com a presença do presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais, Audenir Junior, o que reforça o clima de articulação entre categorias do funcionalismo municipal.

No documento, assinado pela presidente do sindicato, Maria do Carmo Pato Cunha Barboza, o SIMTED informa que a paralisação foi deliberada pelos profissionais da educação básica “em defesa dos seus direitos” e solicita que pais e alunos sejam avisados sobre a mobilização. A medida amplia o clima de tensão entre servidores e Executivo, em um momento em que categorias do funcionalismo questionam projetos e propostas que, segundo os sindicatos, podem atingir diretamente a remuneração dos trabalhadores.
A assembleia ocorre no mesmo contexto da discussão aberta pelo PLC nº 08/2026, encaminhado pela prefeitura de Naviraí à Câmara Municipal. Como já mostrou o Diário do Conesul, o projeto altera regras sobre horas extras e adicional de férias, ponto que gerou reação sindical e acusações de possível retirada de direitos por parte dos servidores.
Entre os professores, o discurso é de desgaste acumulado. Integrantes da categoria ouvidos sob reserva afirmam que não aceitam mais ser tratados com desvalorização e dizem enxergar no Executivo uma postura de empurrar perdas agora para tentar compensar depois com medidas consideradas insuficientes. Um professor resumiu o sentimento nos bastidores ao dizer que o tom percebido é: “a gente faz isso agora, lá na frente joga uma migalha e eles ficam felizes”.
A insatisfação não se limita ao episódio da paralisação. Servidores também cobram valorização salarial, correção de distorções antigas e maior respeito nas negociações. Na avaliação de parte da categoria, a gestão fala em responsabilidade fiscal, mas coloca sobre os trabalhadores o peso de ajustes que podem reduzir ganhos importantes no fim do mês. A prefeitura, por sua vez, defende o projeto como medida de adequação legal e equilíbrio das contas públicas, sustentando que não há redução de vencimentos nem alteração de jornada.
Com a paralisação marcada para 1º de junho, o embate sai das assembleias e chega ao centro político de Naviraí. A presença dos profissionais da educação na Câmara deve pressionar vereadores e Executivo a se posicionarem diante de uma categoria que afirma estar cansada de promessas, reajustes considerados pequenos e propostas interpretadas como perda de valorização. O espaço segue aberto para manifestação da prefeitura de Naviraí.
Edição: Jandaia Caetano/Tv Sobrinho
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