Carina Yano/Tv Sobrinho –
Existe aquela famosa frase: “quem é você quando ninguém está olhando?” ou o trecho da música do Capital Inicial: “o que você faz quando ninguém te vê fazendo, ou o que você queria fazer se ninguém pudesse te ver.”
Acho interessante essa provocação porque nos leva para um lugar muito intimo de nós de mesmos.
Neste espaço deixamos todas as máscaras e bagagens de lado para ser apenas quem somos de fato. Tem pessoas que nem sozinhas conseguem ser quem são. Tem pessoas que tem o privilégio de despir a própria alma perto de alguém que confia o seu coração.
O que você esconde de si mesmo e do outro? Por que você precisa tanto da aprovação e permissão alheia?
De onde vem essa dependência por atenção?
Eu sei, são muitos questionamentos, mas é essa a intenção. Te fazer pensar em um mundo cada vez mais escasso de pensamento crítico. Ninguém quer mais pensar. Só otimizar e reproduzir.
A questão é que quando nos sentamos na mesa conosco, tudo está exposto. O que fazemos com tudo isso, define grande parte do quem nós somos. Não tem como fugir de si mesmo, e se tentamos, uma hora a conta chega e o banquete das consequências chegarão.
Como você honra a sua existência, quando só tem você e Deus?
Fazer o que precisa ser feito envolve não depender de nada externo, mas sim, da sua consciência diante daquilo que é significativo.
Nestes momentos de solitude, algo maior também se revela. Quando existe dor, angústia e sofrimento, nós nos sentamos em silêncio com os nossos demônios. E o que fazemos com isso?
Recentemente eu vi uma pintura do artista russo Ivan Kramskoi, intitulada com o nome ‘Cristo no Deserto’.
Foi umas pinturas mais lindas que eu já vi. E olha que vi de forma virtual e não pessoalmente.
Nunca havia visto Cristo com aquela expressão. Tão humana, tão real.

Ele expressava angústia, incerteza, dor e até um pouco de apatia. Na descrição do local que achei a pintura dizia que esta, talvez, poderia ser o retrato mais humano de Cristo.
Não era um momento de glória. A atmosfera ao redor tinha cheiro de melancolia e até desesperança.
Ele estava sozinho no deserto com os seus próprios demônios. Não havia aplausos, afago e direcionamento. Era Cristo antes dos milagres, antes da ressurreição. Uma imagem silenciosa e humilde.
Todos nós já passamos ou vamos passar por um período árido em nossas vidas.
Quem nós somos diante do absurdo da vida? Quem nós somos diante da exaustão?
Quem é você quando está sozinho?
Os atletas por exemplo, são exemplos de pessoas que permanecem no propósito sem garantia de aplausos. Até porque a rotina destas pessoas é monótona e disciplinada.
Sempre haverá competições, mas a maior competição será de você com você mesmo.
A guerra sempre será interna.
As vezes você estará sozinho no palco e isso é tudo.
Obs. A nossa caixa de comentários está aberta mais abaixo, caso o leitor queira participar. Não é obrigatório, mas escrever o seu nome e a cidade enriquece a interação.
*O material pode ser reproduzido, desde que seja dado os créditos, com o nome do autor e da empresa, no início da matéria, como no exemplo deste conteúdo. Caso esta prática não seja respeitada – com o nome ao final do texto somente – o conteúdo acima está desautorizado para reprodução, podendo sofrer consequências judiciais. A prática existe para preservar o investimento feito pela Tv Sobrinho no seu Jornalismo.





Caraca, que texto!
Mensagem de Jandaia Caetano