Japorã e Tacuru entre os quatro municípios sem casos, já Sete Quedas, registra mais de 300 casos prováveis
Campo Grande News e Portal do Conesul –
Em Dourados, município registrou nova morte suspeita por Chikungunya na última terça-feira (28).
Dos 79 municípios de Mato Grosso do Sul, 75 já registraram casos de chikungunya este ano, o que representa 94,9% do total, segundo dados da SES (Secretaria de Estado de Saúde). Até agora, o estado tem 13 mortes confirmadas, a maioria, em Dourados, cidade que concentra 40% dos óbitos registrados no País.
Entre os municípios com maior número de casos, Dourados lidera com 2.517 registros, seguido por Corumbá, com 1.002, e Fátima do Sul, com 575. Também aparecem entre os mais afetados Amambai, com 415 casos, e Jardim, com 348. Se for considerada a incidência, que leva em conta os registros e a população local, Sete Quedas, Fátima do Sul, Paraíso das Águas e Douradina lideram o ranking
Apenas quatro cidades não têm registros: Alcinópolis, Aparecida do Taboado, Japorã e Tacuru.
Conforme dados do último boletim epidemiológico divulgado, o Estado soma 7.599 casos prováveis. Das 13 mortes, 8 ocorrem em Dourados, 2 em Bonito, 2 em Jardim e uma em Fátima do Sul. Dourados responde sozinho por 40% das mortes por chikungunya registradas em todo o País, que somam 20, conforme boletim do Ministério da Saúde, atualizado até 18 de abril.
Em MS, a vítima mais velha era uma idosa de 94 anos, moradora de Jardim, que tinha hipertensão, diabetes e cardiopatia. Já a mais nova era um bebê de 1 mês, residente em Dourados, sem comorbidades relatadas.
Diante do avanço da doença, o Ministério da Saúde iniciou o envio de vacinas ao Estado. Mato Grosso do Sul recebeu inicialmente 20 mil doses do imunizante IXCHIQ, com estratégia concentrada em Dourados e Itaporã. Ao todo, o envio previsto é de 46,5 mil doses, produzidas pelo Instituto Butantan, primeira vacina do mundo contra a chikungunya.
A vacinação é direcionada a pessoas de 18 a 59 anos com maior risco de exposição e segue esquema de dose única, com restrições para gestantes, puérperas e imunossuprimidos. A meta é atingir cerca de 27,6% do público-alvo em Dourados e pouco mais de 21% em Itaporã.
Além da vacinação, o Ministério da Saúde destinou R$ 28,4 milhões para ações emergenciais em Dourados e região, incluindo reforço na rede de atendimento e medidas de combate ao mosquito Aedes aegypti. Entre as iniciativas estão a atuação de agentes de endemias, uso de inseticidas, instalação de armadilhas com larvicida e apoio de equipes da Força Nacional do SUS, que já realizaram milhares de atendimentos e visitas domiciliares.
A estratégia também envolve distribuição de alimentos e atuação conjunta com órgãos federais e militares, numa tentativa de conter o avanço da doença em uma das regiões mais afetadas do Estado.
Morte em Dourados
Dourados confirmou mais uma morte suspeita por chikungunya em meio à campanha de vacinação iniciada nesta semana. A vítima é um indígena de 29 anos, morador da Aldeia Bororó, que apresentou os primeiros sintomas no dia 19 de abril e morreu seis dias depois, no Hospital da Vida.
Com o novo caso, o município chega a oito mortes confirmadas pela doença em 2026, além de quatro óbitos ainda em investigação, conforme dados do Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública (COE), criado para coordenar o enfrentamento à epidemia.
Dourados é atualmente a cidade brasileira com maior taxa de mortalidade por chikungunya neste ano e está em estado de calamidade pública na área da saúde. Ao todo, já foram registradas 7.100 notificações da doença, sendo 2.554 casos confirmados, 2.633 em investigação e 1.913 descartados.
Nesta terça-feira (28), 33 pacientes com diagnóstico confirmado ou suspeito permaneciam internados em hospitais da cidade. A maioria está no Hospital Universitário da UFGD, com 22 internações.
A vacinação contra a chikungunya começou na segunda-feira (27) e tem como meta imunizar 43 mil pessoas entre 18 e 59 anos. No entanto, a procura inicial ficou abaixo do esperado: apenas 207 doses foram aplicadas no primeiro dia. Nas aldeias Bororó e Jaguapiru, onde a epidemia teve início, somente 30 pessoas buscaram a vacina.
O secretário municipal de Saúde, Marcio Figueiredo, reforçou a importância da imunização e das medidas preventivas. “É preciso manter atenção total, redobrar os cuidados e buscar a vacinação”, afirmou.
Paralelamente, equipes da prefeitura seguem com mutirões de limpeza para eliminar possíveis criadouros do mosquito Aedes aegypti. Entre os dias 24 e 27 de abril, foram vistoriados 1.778 imóveis, com 168 deles encontrados fechados. Os proprietários foram notificados para permitir o acesso e realizar a limpeza.
Apesar de apenas seis focos do mosquito terem sido identificados nas inspeções, a orientação das autoridades é para que a população mantenha os cuidados, eliminando qualquer recipiente que possa acumular água parada.
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