Feminicídios voltam a crescer em Mato Grosso do Sul

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Nove das 10 vítimas de feminicídio neste ano em Mato Grosso do Sul; não foi possível encontrar imagem da indígena Ereni Benites - Montagem

A última história interrompida foi a de Vera Lúcia da Silva, de 41 anos, morta a tiros pelo ex-marido na frente da filha do casal em Eldorado

Caarapó News –

Dez mulheres foram assassinadas apenas de janeiro até este domingo em Mato Grosso do Sul, crimes esses enquadrados como feminicídio. Mães, filhas, tia e esposas, mais que um número, essas histórias refletem uma triste realidade da segurança pública do Estado, que é o segundo do País que mais mata mulheres em função do gênero.

O acumulado até agora já é maior que o do mesmo período do ano passado, contando os 30 dias de abril, e se assemelha a outros anos recorde.

De acordo com dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), de janeiro até o fim de abril do ano passado, o Estado registrou oito feminicídios.

A última história interrompida foi a de Vera Lúcia da Silva, de 41 anos, morta a tiros pelo ex-marido na frente da filha do casal, de 9 anos, no sábado. O crime ocorreu em Eldorado e a mulher estava separada do autor havia oito meses.

Segundo o delegado que investiga o caso, Robilson Junior Albertoni Fernandes, a criança viu não só os dois tiros contra a mãe, mas o pai se matar na sua frente.

“Nós apuramos que neste período em que o casal estava separado foram registradas algumas ocorrências de violência doméstica, sendo inclusive requisitadas algumas medidas em favor da vítima’, declarou o delegado.

Além de Vera Lúcia, também foram mortas: Rosana Candia, de 62 anos; Fátima Aparecida da Silva, de 58 anos; Marlene de Brito Rodrigues, de 59 anos; Nilza de Almeida Lima, de 50 anos; Ereni Benites, de 44 anos; Liliane de Souza Bonfim Duarte, de 51 anos; Leise Aparecida Cruz, de 40 anos; Beatriz Benevides da Silva, de 18 anos; e Josefa dos Santos, de 44 anos.

As armas utilizadas nesses casos foram as mais variadas: panela, makita, marreta, arma de fogo, faca, fogo e a própria mão do assassino.

A maioria foi morta pelo marido, namorado ou ex- companheiro, porém, em um dos casos, a vítima foi morta pelo sobrinho.

Fátima Aparecida da Silva foi encontrada morta no dia 24 de março deste ano em sua casa, em Selvíria. À polícia, M.S., de 21 anos, confessou que matou a própria tia durante uma briga. Para cometer o crime, o autor usou o que estava a seu alcance, uma panela e até uma makita.

Dos 10 casos registrados até domingo, apenas um foi confirmado em Campo Grande. A subtenente da Polícia Militar Marlene de Brito Rodrigues foi morta dentro de casa no dia 6 deste mês, no Bairro Estrela D’Alva.

A policial estava fardada e o principal suspeito era o namorado da vítima, G.J., de 50 anos, que, após depoimento, confessou o crime.

Apesar da morte da policial ser o único caso confirmado, a polícia investiga a morte da arquiteta Ely da Silva Quevedo, de 53 anos, que ocorreu ontem pela manhã.

 

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