A decisão difícil que mudou (e muito) minha vida: parei de beber

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Publicitária adorava tomar uma cerveja, mas decidiu tirar o alcool da sua vida e se surpreendeu (Foto: Divulgação)

Publicitária compartilha no Voz da Experiência como tomou a decisão de abandonar a bebida alcoólica há 8 meses

Thailla Torres/Campo Grande News –

A publicitária Glê Schmitt  compartilha no Voz da Experiência como tomou uma das decisões mais difíceis, e libertadoras, da vida adulta: parar de beber. Entre reflexões, culpas e redescobertas, ela conta como o álcool saiu da rotina e abriu espaço para algo maior há 8 meses.

“Engraçado como certas coisas entram na nossa vida quase sem a gente perceber, né? No começo, parecem simples e até inofensivas. Um costume novo, uma distração rápida, algo que vira rotina sem fazer alarde. E, quando a gente se dá conta, aquilo já ocupa um espaço maior do que imaginava. Às vezes, é só parar para observar com mais calma que percebemos o quanto algo cresceu aos poucos, no silêncio dos dias corridos. Esse é o momento que vale a pena desacelerar um pouquinho e observar: o que tem ocupado espaço demais sem a gente notar?

O álcool sempre esteve presente na minha vida. Desde os 12 anos, eu já estava tomando porres de vinho nas festas da escola com os amigos. Sempre gostei de beber, principalmente cerveja. E abrir mão da minha cervejinha era algo que eu não cogitava na vida. Raros eram os dias em que eu não tomava uma! Mesmo que em casa, sozinha … três ou quatro latinhas, após aquele dia puxado que, na vida adulta, na verdade, todos os dias são assim, né?

Mas, depois de muitos anos nessa rotina, o corpo pediu socorro: encontrei os amigos para um happy hour na semana, como de costume. Tomei cinco copos de chope, e foi o suficiente para, no outro dia, eu simplesmente não existir. Mal consegui acordar. Precisava levar as crianças à escola e ir para o trabalho, mas falhei nas duas missões. Falhei porque meu corpo estava no limite. Eu não conseguia levantar da cama, tamanha era a dor de cabeça que sentia. Me lembro que só deu tempo de gritar para algum dos filhos pegar o balde. Nem sei qual deles pegou.

Nesse dia, tomei a decisão de não ingerir mais bebida alcoólica, de não ser irresponsável a ponto de não conseguir levar meus filhos à escola e trabalhar. E, principalmente, decidi não colocar mais meu corpo no limite que expus naquele dia.

A consciência pesou e a culpa bateu na porta. “Meus filhos presenciaram uma cena humilhante para mim e para eles: ver a mãe passando mal por causa do álcool. Fui irresponsável. E como exigir responsabilidade deles, sendo exemplo do oposto?”

Mesmo sabendo que o começo dessa infinita trajetória poderia me trazer medos e inseguranças, desde que tomei a decisão, mantive firmeza na minha escolha!

Eu sabia que as pessoas ao redor poderiam se espantar, não entender ou até duvidar…

Sempre rola umas perguntas: “É promessa?” ou “Mas você vai ficar quanto tempo sem beber?”. Eu respondo numa boa, com paciência: “Não é promessa, e eu não pretendo voltar a beber mais!”

É engraçado, porque até dá a sensação de ter que me justificar por não estar bebendo como todos. Ademais, percebo um afastamento natural dos amigos que continuam bebendo… Mas acredito que seja mais por minha parte do que por parte deles. Embora eu sempre receba convites para sair e ir para o rolê, não é toda vez que aceito, pois hoje os motivos para sair são outros e não mais a cerveja.

Estar em um ambiente onde os outros estão bebendo não me incomoda. O que me deixa desconfortável é quando percebo que não consigo mais acompanhar os amigos na animação. Aí entendo que é o momento de ir embora. Meu limite nos lugares sempre é até meia-noite. Costumo brincar que, depois desse horário, viro abóbora.

Desde então, são oito meses de uma experiência gostosa e tranquila sem álcool. O que é até espantoso para mim, pois sempre curti muito uma cervejinha! Chega a ser confuso, pois bastou a consciência pesar para eu tomar uma decisão que deixou a mesma consciência mais leve para viver o processo.

O tempo antes dedicado ao álcool agora dá espaço a muita reflexão, dedicação ao trabalho e tempo de qualidade com meus filhos.

Estar mais sóbria tem feito com que eu me conecte mais com as pessoas ao meu redor e, principalmente, comigo mesma. Tenho repensado atitudes, ressignificado momentos e me (re)conhecendo novamente. Me sinto mais disposta, durmo e acordo cedo, sem ressaca, sem mal-estar, e cumpro com minhas responsabilidades. E a qualidade de vida só melhora!

Por isso, nem sequer passa pela minha cabeça a ideia de voltar a beber álcool.

A partir do momento em que a gente toma uma decisão e escolhe um caminho a seguir, precisamos ter coragem para assumir as consequências desse ato.

Se você tem a vontade de parar com o álcool, a melhor dica que posso te dar é: apenas comece.

Só você pode dar o primeiro passo.”

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1 COMENTÁRIO

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