Operação Baest bloqueia R$ 104 milhões em quatro estados

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Foto: PCMS

Grupo usava imóveis, veículos e depósitos fracionados para ocultar origem dos valores ilícitos, segundo a Polícia Civil

Elaine Oliveira/ Capital News –

A Polícia Civil do Espírito Santo concluiu a Operação Baest com o bloqueio de aproximadamente R$ 104 milhões de investigados por lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e organização criminosa.

A ação foi deflagrada no dia 14 deste mês e teve alvos nos estados de Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Paraná e Minas Gerais.

No Mato Grosso do Sul, equipes do Dracco (Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado) cumpriram mandados de busca e apreensão em Eldorado, Dourados e Mundo Novo.

Um veículo e celulares foram apreendidos.

Em uma das residências, o investigado já havia deixado o local, segundo informou a delegada Ana Cláudia Medina.

Ao todo, a operação resultou no cumprimento de 25 mandados de busca e apreensão, 29 bloqueios de contas bancárias, 17 mandados de sequestro de bens e bloqueio de nove imóveis.

Também foram apreendidos 12 veículos, sete armas de fogo, joias, criptomoedas e até uma embarcação.

Segundo o subsecretário de Estado de Inteligência do ES, Romualdo Gianordoli Neto, a operação teve origem em 2021, após desdobramentos de uma investigação sobre o Primeiro Comando de Vitória, a partir de materiais obtidos com um criminoso apelidado de “Marujo”.

O principal articulador do esquema era o ex-agente penitenciário conhecido como “Baer”, que mantinha conexões com fornecedores de drogas e articulava a movimentação financeira do grupo.

“O ‘Marujo’ se comunicava com o ‘Baé’, mas quem estava abaixo dele não o conhecia.

O ‘Baé’ tinha seus próprios fornecedores, que o ‘Marujo’ também não conhecia.

Ele mantinha contatos nas fronteiras e enviava dinheiro para a Bahia e Mato Grosso do Sul”, explicou Gianordoli.

De acordo com o delegado Alan de Andrade, do Ciat (Centro de Inteligência e Análise Telemática), o grupo utilizava diversas técnicas de lavagem de dinheiro, como a compra subfaturada de imóveis e veículos de luxo, e o chamado smurfing, que consiste no fracionamento de depósitos bancários para evitar alertas do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras).

“Depósitos acima de R$ 5 mil geram alerta automático. Eles faziam depósitos menores e também usavam títulos de capitalização para ocultar o dinheiro”, detalhou.

A operação também teve como objetivo a descapitalização patrimonial do grupo, com a apreensão de bens de alto valor.

Entre os itens recolhidos estão uma Porsche Cayenne Coupé, avaliada em mais de R$ 800 mil, e uma Porsche Panamera 4 E, que ultrapassa os R$ 700 mil, além de um Jeep Commander Overland e uma RAM Rampage Laramie.

Durante as diligências, foram encontradas ainda joias, relógios, pulseiras, cordões e obras de arte, apreendidos em mansões localizadas nas cidades de Vitória, Serra, Vila Velha e Guarapari, todas no Espírito Santo.

A Operação Baest é considerada uma das maiores ofensivas recentes contra o braço financeiro de facções criminosas no Brasil, destacando o uso sofisticado de métodos para dissimular e reintegrar capitais de origem ilícita ao sistema financeiro.

As investigações continuam.

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