Mais um capítulo do tarifaço de Trump: Tensão global, dólar nas alturas e uma janela para o agro brasileiro

0
98

Capitalnews –

Poderia ser uma novela mexicana, daquelas com reviravoltas a cada intervalo comercial. Mas segue os parâmetros do “Tio Sam”, uma série de Hollywood, com orçamentos bilionários, egos inflados, efeitos colaterais globais e um protagonista que adora incendiar o roteiro pelas redes sociais.

Donald Trump voltou à cena com mais um capítulo do tarifaço — como sempre sem avisar os roteiristas da economia mundial.

Desta vez, o ataque foi direto: tarifas sobre produtos chineses subiram para 125%, com aplicação imediata.

A justificativa?

A tal “falta de respeito” da China com os mercados mundiais. Enquanto isso, vários países ganharam um alívio temporário — entre eles, o Brasil, que permanece com uma tarifa fixada em 10%.

Para quem acompanha esse tabuleiro há algum tempo, nada surpreende: Trump joga no caos, aposta no impacto e, não raro, colhe dividendos eleitorais com o barulho.

O mercado, como sempre, reagiu com oscilação e nervosismo.

Mas no Brasil, curiosamente, o Ibovespa fechou em alta, impulsionado pelas ações da Vale e da Petrobras.

Um alívio pontual em meio ao vendaval global, mas que sinaliza uma leitura pragmática dos investidores: onde há crise, há também oportunidade.

E é aí que entra o agro. Se há algo que esse setor aprendeu, é encontrar espaço em meio ao colapso alheio, também chamado de resiliência.

Durante o primeiro governo Trump, quando o embate com a China esquentou, a soja brasileira disparou para patamares históricos — justamente porque a China precisou buscar no Brasil o que parou de comprar dos EUA.

A lógica agora é a mesma. Com o novo tarifaço, os chineses vão cortar ainda mais as compras dos americanos.

E quem está na linha de frente para assumir esse espaço? BRASIL!

Soja, milho, proteínas animais como carnes bovina e de frango devem surfar nessa onda. Os europeus também podem redirecionar as importações. Não por solidariedade, mas por necessidade.

Já produtos como café e laranja, mais dependentes do mercado americano, tendem a enfrentar uma travessia mais turbulenta.

Mas mesmo nesses casos, uma tarifa de 10% ainda é um refresco diante do muro tarifário imposto aos chineses.

Mais que isso: se a nova configuração perdurar, há quem projete até a migração de indústrias globais para o Brasil. Afinal, exportar para os EUA com uma tarifa de 10% começa a parecer um bom negócio diante dos 125% cobrados de outros países.

O Brasil pode deixar de ser só fornecedor de matéria-prima e passar a ser alternativa estratégica para manufatura com acesso ao mercado americano.

No câmbio, o efeito foi imediato. Com os mercados tensos e investidores correndo para o dólar como porto seguro, a moeda americana ultrapassou R$ 6,05. Para o exportador rural, isso significa mais reais por tonelada vendida. Um alívio em meio à escalada dos custos e à pressão sobre as margens. É verdade que os insumos importados ficam mais caros — mas no saldo final, o agro ganha tração.

Já no cenário dos juros, o sinal amarelo acendeu. Em um cenário mais instável, o dinheiro fica mais caro. Aquela curva de queda da Selic que parecia desenhada para os próximos 12 a 24 meses agora pode ser adiada, ou melhor, cancelada. Isso deve influenciar em um insumo fundamental do agro- o crédito.

O tarifaço de Trump está longe de ser o último episódio dessa série. Pode ser que, como antes, os protagonistas sentem à mesa, negociem, encenem uma trégua e tudo volte ao “normal”.

Pode ser que não. O fato é que, neste capítulo atual, o agro brasileiro tem uma janela de oportunidade escancarada diante dos olhos. Quem estiver preparado para entrar em cena, tende a sair fortalecido quando os créditos subirem.

*Wolney Arruda
Administrador de empresas e Presidente do Plantae Agrocrédito, que está no mercado há mais de 20 anos com atuação financeira. Com sede em Presidente Prudente/SP, está presente em vários segmentos do agro e tem parcerias com grandes empresas do ramo de pecuária, como MFG, Marfrig e Minerva, setor sucroenergético, com Tereos, Cofco, Adecoagro, Cocal, Grupo CMAA, CMNP, Usina Jacarezinho, Energética Santa Helena, Viterra Bioenergia, ATVOS, setor de citrus, com a Citrosuco, além do segmento de grãos com COFCO, ADM, Cargill, entre outras.

Obs. A nossa caixa de comentários está aberta mais abaixo, caso o leitor queira participar.

Artigo anteriorProposição de Curi atualiza lei que concede Título de Utilidade Pública no Paraná
Próximo artigoExames gratuitos de mamografia acontecem em Amambai na Carreta do Hospital do Amor

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui