Confira a ação de várias escolas da cidade quanto ao uso do aparelho e os impactos da tecnologia
Carina Yano/Tv Sobrinho –
As aulas na Redes Municipal retornam na próxima segunda-feira (24). Nas escolas estaduais o retorno ocorreu nesta segunda (17). Nas particulares foi no início do mês.
O retorno das aulas em 2025 para a geração Z e Alpha, veio com desafios. A Lei nº 15.100/2025, sancionada no dia 13 de janeiro pelo presidente Lula (PT), restringe o uso de celulares durante aulas, recreios e intervalos em todas as etapas da educação básica.
O projeto de lei e alguns especialistas apontam que o uso excessivo de telas pode prejudicar o aprendizado, sono e a captura de atenção dos alunos – além de dificultar o desenvolvimento de habilidades na socialização e interação.
Na Escola Estadual Marechal Rondon, desde 2024, o regimento escolar já proibia a utilização do celular, a não ser que fosse para fins pedagógicos.

“Quando o aluno estava utilizando o celular, nós recolhíamos o celular e aguardávamos o responsável buscar o aparelho. Aqui na escola o aluno pode trazer, mas deve deixar o celular na bolsa desligado”, apontou a diretora, Cinthia Urague.
“No começo tivemos umas intercorrências, mas a gente conversou bastante com os pais e eles nos apoiaram. Tivemos um aceite muito grande. A restrição já acontecia também durante o almoço e intervalo”, complementou.
Cinthia apontou que foi a melhor estratégia porque foi notável uma mudança na questão de aprendizagem e atenção dos alunos.
O professor na Área de Humanas, Davyd Oliveira, destacou que a escola não é contrária ao uso de tecnologias no processo de aprendizagem, mas que é favorável que essas ferramentas sejam utilizadas para fins educacionais no ambiente escolar.
“Isso se torna um desafio, pois estudantes de todas as idades têm acesso a dispositivos móveis com acesso à internet, e muitas vezes o principal interesse é o entretenimento”, disse Davyd.
A decisão de restringir o uso de celular em 2024 surgiu após diversas reclamações de professores. Os alunos tiravam fotografias, faziam vídeos de alunos e professores sem autorização.
“No início da implementação da regra tivemos alguns alunos que resistiram a aderir à medida. Tiveram alguns episódios que tivemos que recolher. Com o passar dos meses, os próprios alunos passaram a entender a importância da regra. Muitos deles, inclusive, já não traziam o aparelho na bolsa”, lembrou Davyd.
São aproximadamente 440 alunos estudando no Marechal Rondon. Atualmente os estudantes estão no Centro Comunitário da Igrejinha Nossa Senhora Aparecida, no bairro Berneck, devido a reforma no prédio da escola.
Já na Escola Estadual Profª Iolanda Ally, a restrição era parcial. Segundo o diretor, Sandro Márcio, era permitido utilizar dentro da sala de aula somente para pesquisa e durante o intervalo.

Uma dúvida que surgiu foi em relação aos pagamentos nas cantinas via pix.
“Vamos ter que definir aqui com o colegiado. Estamos aguardando uma orientação do governo do estado para saber como vamos proceder com essa questão”, citou Sandro.
O prédio do Iolanda Ally também está em reforma. Os 325 alunos estão estudando no Centro Catequético da Igreja Matriz, no Centro da cidade.
A Tv Sobrinho entrou em contato com as escolas particulares e foi verificado que a regra também já havia sido implantada.
O Centro Educacional Mundo Novo Mickey, estabeleceu a restrição dos celulares há 4 anos, segundo a diretoria. As aulas retornaram no dia 06 de fevereiro com 395 alunos – entre ensino infantil, fundamental e médio.
Já na Escola Adventista, os alunos chegam na escola, deixam os aparelhos em uma caixinha e pegam somente na saída. São mais de 300 alunos do maternal ao ensino médio. As aulas retornaram no dia 03 de fevereiro.
De acordo com a Unesco, além do Brasil, cerca de 25% dos países do mundo já possuem leis que proíbem o uso de celulares nas escolas.
“Diante desta realidade, está lei auxilia pais, professores e alunos a retomarem a rotina escolas e suas atividades, mudando o foco dos celulares para o desenvolvimento das atividades escolares e da socialização – dois maiores ganhos para o desenvolvimento das escolas e da educação”, apontou o psicólogo, Thiago Moreira.
“Nativos Digitais” e a preocupação de especialistas
Os avanços da tecnologia mostram de forma acelerada, como as ferramentas digitais estão se tornando quase uma “extensão” do corpo humano.
Os assuntos sobre IA e todos os tipos de tecnologias inovadoras, nunca foram novidade por já serem retratados, por exemplo, no cinema. Porém, agora, a teoria está se tornando mais real.
A preocupação de especialistas a respeito das telas se aplica em pessoas de todas as idades, mas principalmente em crianças e adolescentes.
Dentro da literatura, o livro ‘A fábrica de cretinos digitais: Os perigos das telas para as nossas crianças, do Michel Desmurget, apontam que esta é a primeira geração com QI menor que a geração anterior. O uso intensivo de tela na primeira infância impacta na forma de fixar conhecimento.

Segundo o neurocientista, Eslen Delanogare, o cérebro do jovem é muito ‘plástico’ até os 20 e até os 23 anos. Portanto, crianças e adolescentes se tornam vulneráveis aos algoritmos que no futuro podem dificultar o processo de aprendizagem de coisas mais complexas.
O excesso de informação faz a pessoa não ler e não se aprofundar nos assuntos. Algumas pesquisas e notícias apontaram que o brasileiro está lendo cada vez menos e ficam mais no telefone.
O artigo ‘Como o uso excessivo do celular pode afetar a saúde mental de crianças e adolescentes: efeitos a curto e longo prazo’, da Brazilian Journal of Health Review, o tempo gasto online de forma excessiva ainda pode desencadear isolamento social, fragmentar o foco e perda de habilidades sociais, como a empatia.
Segundo Patrick Pedreira, mestre em Ciência da Computação da UFSCAR, “a tecnologia não é o problema, o problema somos nós”.
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