
Eventos climáticos extremos podem alterar rotina de trabalho até 2030
Carina Yano/Tv Sobrinho –
Todos os anos as condições climáticas e os eventos extremos são apresentados de formas diferentes em cada lugar do mundo, de acordo com suas características regionais.
Atualmente, a preocupação se aplica nos dados da agência de monitoramento climático da Europa, Copernicus, que apontou 2024 como o ano mais quente da história, com temperatura acima do limite de 1,5 C.
Mato Grosso do Sul está sendo atingido pela segunda onda de calor, iniciada no último domingo (02) e que deve se estender até o dia 07 de fevereiro. O impacto maior será no oeste e sul do estado.
A primeira onda de calor, ocorreu em 15 e 19 de janeiro, afetando principalmente a região Sul do Brasil.
Segundo a Estação GNSS Sistema Global de Navegação por Satélite da UEMS de Mundo Novo, a média do histórico de chuvas dos últimos 9 anos (2016/2024), foi de 1.675,22mm/ano. Em 2024, apesar de pouca precipitação, foi registrado 1.360mm de chuva.

De acordo com a SEMADE (Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Econômico), os dados citados estão dentro do esperado. O clima de Mundo Novo é subtropical, com períodos de chuvas de outubro a março (um padrão dentro do verão). As precipitações variam de 1.400 à 1.700 mm anuais.
A Defesa Civil fez um alerta na tarde desta segunda-feira (03), sobre a possibilidade de chuvas intensas na região do Mato Grosso do Sul. O informe está válido até esta terça (04), às 11h.
Impactos no cotidiano
O Dr. Jean Rosset, agrônomo e docente na UEMS de Mundo Novo, informou que o inverno neste ano deve ser mais seco e com poucos dias de frio, porém, mais intensos em comparação ao ano anterior.
Com mais dias de verão e novas ondas de calor, um setor que vem sendo prejudicado é da agricultura.
“As lavouras não estão suportando as temperaturas altas por vários dias. Principalmente as culturas de verão, por exemplo, a soja”, citou Jean.
Atualmente, ainda não existem alternativas para amenizar os impactos.
“Teve uma grande quebra de produção. O meu mesmo eu dessequei, devo colher lá por sexta ou sábado, não sei calcular, mas imagino que quebrou mais de 40%”, informou Geraldo Lopes, secretário de Agricultura de Mundo Novo.
O artigo Working on warmer planet: The effect of heat stress on productivityand decente work (Trabalhar num planeta mais quente: O efeito do estresse térmico na produtividade e no trabalho digno), apontou:
“Até 2030, prevê-se que se perca anualmente o equivalente a mais de 2% do total de horas de trabalho em todo o mundo, seja porque está demasiado calor para trabalhar ou porque os trabalhadores precisam trabalhar num ritmo mais lento”.
“Existe uma prioridade de trabalho em horários menos quentes. Principalmente para trabalhos braçais, como na agricultura. O calor entre as dez da manhã e três horas da tarde, é quase insuportável”, lembrou Jean.
Os riscos para a saúde humana, também se tornaram relevantes. A frase “ar-condicionado não é mais luxo, é necessidade”, se tornou comum.
As enfermeiras Jeniffer e Gabriela, do Posto de Saúde Central, relataram vários casos de pacientes que apresentaram sintomas referente ao mal-estar gerado pelo calor: pressão baixa, falta de ar, desidratação, tontura, dores de cabeça etc. Na Farmácia do Zezinho, a colaboradora Carol, também citou alguns casos semelhantes.

Normalmente, o público que sofre mais o impacto, são idosos, crianças, gestantes e indivíduos com doenças crônicas. Porém os relatos citados anteriormente apontaram pessoas de diversas idades e condições.
Segundo a Associação Americana de Psiquiatria, temperaturas mais altas do que o normal, podem levar a problemas de memória, atenção e reação – além da irritabilidade.
Fonte: Folha MS / CNN / G1 / International Labour Organization
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