Movimentos negros exaltam Zumbi e rejeitam princesa Isabel
Jandaia Caetano/tv Sobrinho –
O programa Pensando Nisso, na última quinta-feira (14), recebeu duas professoras, Roseli Brasil e Andreia Simoni, da Escola Iolanda Ally, para discutir sobre o tema do racismo. Roseli, inclusive, já foi secretária municipal de Educação, no priemiro mandato do prefeito Valdomiro Sobrinho em Mundo Novo e saiu para assumir concurso na Rede Estadual de Ensino.
Recentemente, a Escola Estadual Iolanda Ally realizou a 4ª Diáspora Áfrika, festa que aborda a questão cultural e contribuições africanas na cultura brasileira.
Na próxima quarta-feira (20), pela primeira vez o país terá um feriado em alusão ao sofrimento da população negra, com antecedentes escravizados como mão-de-obra para o Brasil nos séculos anteriores ao XX.
O feriado do Dia de Zumbi e da Consciência Negra foi sancionada pelo presidente Lula no final do ano passado e será comemorado pela primeira vez como tal. A partir da década de 70 os movimentos negros passaram, paulatinamente, a rejeitar o 13 de Maio, data em que a princesa Isabel – então regente do Império do Brasil, devido a tratamento de saúde de dom Pedro 2º na Europa – assinou a Lei Áurea, que libertava os escravos em 1888.
Os movimentos rejeitam a data ‘enxergando’ que o negro tem que ser o personagem principal da sua liberdade e “não uma branca em um ato de generosidade”, alegam, como se lia nos livros de história. Escolheram Zumbi dos Palmares, que no século XVII comandou uma área, na atual Alagoas, e desafiou a Coroa. Eram onze povoados e cerca de 20 mil habitantes. Depois de 15 expedições fracassadas, a 16ª destruiu o local. Zumbi, que comandou Palmares por 14 anos, foi capturado no ano seguinte e morto em 20 de novembro. Seu corpo mutilado e sua cabeça exposta em praça pública, em Recife.
O paradoxo é que a professora idealizadora da festa ´Diáspora Àfrika’, na Escola Iolanda Ally, Andreia Simoni, é branca, assim como a princesa Isabel, em uma demonstração de que o protagonismo na luta contra o vexame do preconceito racial deve ser do ser humano, independente da sua cor.
* Empresas que apoiam o jornalista: Global Internet, Gráfica Olímpica e Escritório Bandeirantes.



