Ministra Cida Gonçalves defende igualdade salarial para homens e mulheres

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Em protesto contra ação que contesta lei de 2023, mulheres levaram faixa ao evento com dizeres pela igualdade salarial

 

A lei de igualdade salarial entre os gêneros, aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, está sendo questionada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

As entidades entraram com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) no Supremo Tribunal Federal (STF).

Esse movimento foi criticado pela ministra das Mulheres, Cida Gonçalves.

Ela participou, nesta terça-feira (19), do evento Março das Mulheres: O #BrasilporElas no enfrentamento à misoginia e na promoção da igualdade, com lançamento, entre outros, do Plano de Ação do Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios.

Na cerimônia, outras mulheres levaram um faixa com dizeres pela igualdade salarial e gritaram palavras de ordem com mesmo teor.

“A minha pergunta é como é que nesse país alguém tem condições, em pleno século XXI de ser contra a igualdade salarial entre homens e mulheres pelo mesmo serviço?

Isso é a política do retrocesso, do atraso que, nós mulheres, não vamos admitir nunca mais!”, indignou-se a ministra.

A ação ajuizada pelas duas entidades pede uma medida cautelar para suspender os efeitos de alguns dos dispositivos do Decreto de lei nº 11.795, publicada em novembro de 2023, que regulamenta a lei sancionada em julho do ano passado.

Na ação, as entidades alegam que não pretendem questionar o princípio da isonomia, mas “a necessidade de adequação da lei, para que desigualdades legítimas e objetivas, como o tempo na função e na empresa, e a perfeição técnica do trabalho, não sejam consideradas como discriminação por gênero”.

As confederações argumentam ainda que a exigência da divulgação de relatório de transparência salarial e aplicação de sanções a qualquer caso de diferença de remuneração são injustas, e justificam que planos de carreiras no meio corporativo vão além da questão de gênero.

A ministra revelou que fez o protesto com a autorização do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que a orientou a “colocar as mulheres na rua”.

A ministra adiantou que após receber a notícia da contestação da lei pelas entidades, o Ministério das Mulheres tem articulado com parlamentares, ministras de Estado, com a sociedade civil e entidades sindicais mobilizações nas redes sociais e presenciais que incluem visitas aos ministros da suprema corte, às sedes das duas confederações e de outras entidades representantes do empresariado para manifestar sobre o impacto da falta de equidade na remuneração entre mulheres e homens.

“Essa é a clara evidência da misoginia.

O que eles querem é nos mandar de volta para o fogão.

Nós não vamos voltar para o fogão!

Eles querem que a gente continue lavando roupa e nós não queremos.

Podemos até fazer se a gente gostar, mas não vai ser por obrigação.

Querem que a gente volte para dentro de casa para ser mãe, cuidadora e cuidar deles.

Nós não queremos isso”, disse a ministra das Mulheres, Cida Gonçalves.

“Queremos poder ser deputadas, prefeitas, presidente da República, chefes das grandes empresas, queremos estar vivas.

Nós vamos dizer isso a eles.

Vamos reconstruir este país a partir de 52% da população, que somos nós, as mulheres”, concluiu.

Fonte: Rogério Vidmantas
Capital News

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