Marco temporal: entidades indígenas devem recorrer ao STF após derrubada dos vetos no Congresso

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Ao todo, 321 deputados e 53 senadores votaram contra o veto presidencial

 

Após a derrubada dos vetos do presidente Lula ao projeto que estabelece um marco temporal para demarcação de terras no Brasil, o Ministério dos Povos Indígenas afirmou que vai acionar o Supremo Tribunal Federal (STF).

A votação aconteceu nesta quinta-feira (14), em sessão conjunta no Congresso Nacional.

Entre os deputados, foram 321 votos contrários ao veto e 137 favoráveis.

Já entre os senadores, foram 53 contrários e 19 favoráveis.

Para derrubar um veto presidencial, são necessários um total de 298 votos.

A derrubada dos vetos foi uma vitória da bancada do agronegócio.

A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) defende que a proposta visa o direito de propriedade, além de evitar conflitos e garantir a segurança jurídica.

Atualmente, a FPA é o maior bloco político do Congresso, composto por 374 parlamentares.

Durante a sessão, um dos membros da frente, o deputado Luis Carlos Heinze (PP-RS), comentou a importância do marco temporal.

“Nenhum país no mundo tem a extensão territorial destinada aos indígenas como nós temos no Brasil.

O percentual que temos para reservas indígenas é muito alto.

Quase 50% do Brasil não se utiliza.

Hoje é no meio rural, mas se essa moda pega, qualquer propriedade na cidade ou no campo poderá ser expropriada”, reforçou Heinze.

Disputa

Em 21 de setembro deste ano, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que a tese era inconstitucional.

Nove dos 11 ministros deram razão aos povos indígenas.

Oito dias depois o Congresso aprovou um projeto de lei para incluir a tese em lei federal.

A professora da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Flávia Bahia explica o que muda com o marco.

“Ele estabelece que os povos indígenas só possuem o direito de reivindicar determinada terra, caso eles já ocupassem em 5 de outubro de 1988, dia em que a Constituição Federal foi promulgada.

Então, se determinado povo não estivesse no território, seria necessária uma comprovação na Justiça, um processo, um conflito”, pontua.

No dia 20 de outubro, o presidente Lula vetou o principal ponto do projeto, argumentando que a tese já havia sido considerada inconstitucional.

Agora, entidades indígenas devem entrar com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) no STF.

O Ministério dos Povos Indígenas divulgou uma nota, após o resultado da votação, informando que vai acionar a Advocacia Geral da União (AGU) para ingressar no STF “a fim de garantir que a decisão já tomada pela alta corte seja preservada, assim como os direitos dos povos originários”.

Brasil 61
Yumi Kuwano

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