Atacante do Atlético de Madrid ganhou a vaga de centroavante e mostrou mobilidade, faro de gol e ajudou na armação das jogadas. Não há um substituto assim.
Com uma lesão grave confirmada pelo Atlético de Madrid, o atacante Matheus Cunha perderá os jogos pela Liga dos Campeões, contra o Manchester United, e provavelmente ficará de fora das últimas rodadas das Eliminatórias, nos dias 24 e 29 de março.
Uma ausência que abre um dilema tático para Tite numa posição cuja disputa está acirrada para o time que irá ao Qatar na Copa do Mundo.
Matheus Cunha ganhou a vaga de titular nos últimos jogos aproveitando um vácuo na posição. Richarlison e Roberto Firmino conviveram com problemas físicos. Gabriel Jesus vive má fase e seca de gols. Gabigol ainda não convenceu. Tite acertou ao testar uma das surpresas da Seleção Olímpica de André Jardine que garantiu o Bi Olímpico. Ele inclusive fez gol na final.
Em termos táticos, Cunha mostrou presença de área e faro de gol. Ajudou a segurar os zagueiros nos cruzamentos. E como é muito importante no jogo atual, também mostrou muita qualidade e agilidade quando saía da área e vinha ajudar no toque de bola, na construção das jogadas ofensivas. Ele fazia esse movimento tanto de costas, o chamado pivô, como sendo mais um armador, pegando a bola e conduzindo para frente.
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Cunha sai da área, recebe, gira rápido e toca para alguém: contribui além dos gols — Foto: Reproducao
Mora aí um dos diferenciais de Cunha. O Brasil ainda não valoriza que centroavantes que saiam da área. Na nossa forma de ver o jogo, achamos que um camisa 9 tem sempre que fazer gol. Mas e se ele contribuir de outra forma? Além de pivô, Cunha tem uma técnica de receber, dominar protegendo a bola e girar para frente de forma ágil. Com isso, ele atrai a marcação de um volante e até de um zagueiro e gera um espaço nas costas do adversário, que pode ser aproveitado por outro jogador.
Nos últimos testes de Tite, foi Coutinho quem usou muito bem essa lacuna gerada pela movimentação (a noção de espaço, tática) e o rápido domínio e giro (a técnica). Veja na imagem.
Gol de Raphinha passou por movimentação inteligente de Cunha
O gol que abriu o placar na goleada de 4 a 0 sobre o Paraguai, uma das melhores atuações da Seleção nos últimos tempos, teve a constribuição de Matheus Cunha.
E não foi empurrando a bola para as redes. Veja que o Paraguai se fecha todo e deixa apenas Marquinhos com certo conforto com a bola. Nesse lance, Coutinho se movimentou para a direita e um clarão se abriu no meio-campo. Ao invés de esperar a bola, Cunha recua nesse clarão, para dar uma opção de passe ao zagueiro.
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Matheus Cunha sai da área e se posiciona no espaço deixado por Coutinho — Foto: Reprodução
Quando ele faz isso, Raphinha começa a circular nas costas do lateral e do zagueiro. Esses dois ficaram prestando tanta atenção em Cunha que não viram a diagonal – o famoso facão – do autor do gol. Marquinhos foi supremo: viu o facão e deu um lançamento certeiro. Na Copa do Mundo, contra aquelas retrancas da primeira fase, é um lance assim que vai decidir.
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Raphinha aproveita espaço deixado por Cunha — Foto: Reprodução
O dilema de Tite está em quem substitui Matheus. Porque, até o momento, nenhum dos testados mostrou um combo de características que casasse tanto com o time.
- Gabriel Jesus é inteligente na leitura de espaços e pressiona zagueiros, mas vive má fase e perde muitos gols.
- Richarlison é móvel e faz gols, mas não tem a mesma capacidade de sair da área, girar e conduzir ou tabelar com os meias
- Roberto Firmino é indiscutivelmente um 9 que joga de 10, mas convive com problemas físicos
- Gabigol tem gols e mobilidade, mas problemas em aproveitar espaços com a perna direita
Fonte: Globo Esporte




