Seis municípios têm 100% dos leitos ocupados, e outros quatro estão próximos do colapso. Curitiba entra na bandeira vermelha e amplia as restrições
A retomada parcial do Campeonato Paranaense, com três jogos na última quinta-feira, contrasta com um número preocupante no estado. Todas as cidades que recebem jogos da competição têm taxa de ocupação em hospitais acima de 90%.
Em levantamento do ge, com base nos dados de sexta-feira, o município de Londrina registra o menor número: 90,5% dos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), entre redes pública e privada. Cascavel está em situação ainda mais preocupante, com 92% de ocupação.
Três sedes que aceitam, hoje, receber jogos colapsaram seus sistemas de saúde no Paraná: Cianorte, Pato Branco e Toledo. Além dessas, Arapongas também está sendo utilizada para receber os jogos do Londrina. Paranaguá e Ponta Grossa completam as cidades com 100% das vagas ocupadas (veja tabela abaixo).
Curitiba, que ainda não recebeu nenhum jogo, passou para a bandeira vermelha, aumentando as restrições. Além de os três clubes da capital não poderem jogar em seus estádios, o Athletico está proibido até de treinar no CT do Caju. A capital tem 98,2% dos leitos de UTIs ocupados.
A reapresentação do grupo principal do Athletico, inclusive, estava marcada para segunda-feira, dia 15, mas terá que ser adiada. O diretor técnico Paulo Auutori falou sobre o tema neste sábado.
– Lei se cumpre, e nós vamos cumprir. Temos que ter soluções. Dentro dessa perspectiva, vamos, assim que possível, retomar nossa preparação. Foi importantíssimo ter tido essa reação no campeonato e ter tido esse tempo a mais. Até o dia 21, estaremos com as atividades suspensas – falou Autuori em entrevista coletiva neste sábado.
Coordenador do Serviço de Infecção Hospitalar do Hospital Vitória-PR e do Hospital Cardiológico Costantini, Francisco Beraldi de Magalhães lembrou que o impacto de um jogo de futebol profissional vai além do controle feito nas partidas. Ele reforça que as cidades não têm vagas no sistema de saúde.
Taxa de ocupação em cidades paranaenses
| Cidade | Ocupação |
| Arapongas | 100% (SUS) |
| Cascavel | 92% (SUS) |
| Cianorte | 100% (SUS e Privado) |
| Curitiba | 98,2% (SUS) |
| Londrina | 90,5% (SUS e Privado) |
| Maringá | 98,1% (SUS e Privado) |
| Paranaguá | 100% (SUS) |
| Pato Branco | 100% (SUS e Privado) |
| Ponta Grossa | 100% (SUS e Privado) |
| Toledo | 100% (SUS) |
Vale destacar que nem todos os municípios divulgam os dados das redes particulares. Curitiba é uma delas, mas a Prefeitura cobrou na quinta-feira a necessidade de informar diariamente, à Secretaria Municipal da Saúde, os dados de ocupação dos leitos, bem como os recursos disponíveis para emergências.
Assim como Curitiba, Ponta Grossa também aumentou as restrições. A prefeitura da cidade suspendeu a partida Operário-PR x Coritiba, que seria realizada neste sábado.
Com a menor taxa de ocupação, a Prefeitura de Londrina decidiu não autorizar o jogo entre Tubarão 1×1 Maringá, que foi realizado em Arapongas, com 100% de taxa de ocupação. Outros dois confrontos aconteceram: Azuriz 0x1 FC Cascavel e Toledo 0x1 Rio Branco-PR.
Para domingo, apenas um jogo do estadual está marcado: FC Cascavel x Paraná, da primeira rodada. Londrina x Azuriz (rodada 3) e Toledo x Paraná (rodada 4) foram marcados para quarta-feira. Até o momento, só cinco jogos foram disputados.
De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), no último boletim informado, 587 pessoas aguardam por leito de UTI no estado inteiro. A taxa de ocupação no Paraná é de 96%.
Organizadora da competição, a Federação Paranaense de Futebol (FPF) entrou com mandado de segurança na Justiça para liberação de jogos em Curitiba e Londrina. A entidade argumentou que o futebol segue rígidos protocolos e que foram testadas milhares de pessoas envolvidas.
Os clubes de futebol testam a delegação em até 72 horas antes dos jogo. O staff que participa do jogo também precisa comprovar o teste para entrar no estádio. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) defendeu realização das partidas e afirmou que “é seguro, responsável e controlado”.
Essa indefinição sobre o futuro do estadual ocorre em meio ao avanço no número de casos e de mortes no Paraná. Em todo o estado, são 13.228 óbitos e 746.594 diagnósticos da doença. Em menos de um mês, a média móvel de mortes por Covid-19 no estado quase quadruplicou: de 42, em 16 de fevereiro, para 162.
Ambulâncias
De acordo com o artigo 16, da Lei nº 10.671/03, do Estatuto de Defesa do Torcedor, “é dever da Entidade responsável pela organização da competição disponibilizar um médico e dois enfermeiros para cada dez mil torcedores presentes à partida”.
Com o agravamento do coronavírus, as cidades convivem com mais atividade médica e, consequentemente, maior necessidade de ambulâncias. O ge apurou que apenas Cianorte depende, ocasionalmente, de ambulância do município para os jogos. O restante tem parceria com empresas privadas.
Fonte: Globo Esporte




