Implementada pelo PNUD com coordenação técnica do Ministério do Meio Ambiente, iniciativa capacitou mais de 800 pessoas e melhorou processos tecnológicos
Iniciado em 2016, o Programa Siderurgia Sustentável (SidSus) foi responsável pela redução de emissões de 111.218 toneladas de CO2 equivalente por ano, ante uma meta inicial de 21.600 toneladas. Além de contribuir com a redução da emissão de gases do efeito estufa, o projeto capacitou mais de 800 pessoas que atuam na produção de carvão vegetal em Minas Gerais e aprimorou ou desenvolveu 10 processos tecnológicos usados para produzir carvão a partir das florestas plantadas.
Também foram distribuídas mais de 15 mil cartilhas, folders, manuais e folhetos com informações sobre a produção de carvão vegetal, aproveitamento de resíduos (coprodutos) do processo de carbonizacão da madeira e orientações para a construção do sistema Fornos-Fornalhas, desenvolvido pela Universidade Federal de Viçosa (UFV). Em parceria com outras universidades federais em Minas Gerais, foram construídas quatro unidades demonstrativa do sistema Fornos-Fornalhas.
Com financiamento do Fundo Global para o Meio Ambiente, o Siderurgia Sustentável buscou reduzir as taxas de emissões de gases de efeito estufa do setor que responde hoje por cerca de 3,2% de todas as emissões. O projeto foi implementado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) com coordenação técnica do Ministério do Meio Ambiente (MMA).
Paulo Toledo, diretor do Departamento de Clima do MMA, destaca ainda que que seis plantas siderúrgicas foram convertidas com o projeto, além de seis pequenos produtores de carvão. “Hoje elas não usam mais florestas nativas para carvão, usam florestas plantadas, que são renováveis”. Felipe Bittencourt, CEO da WayCarbon, um dos parceiros do projeto no setor privado, complementou ainda que “o setor de siderurgia no Brasil tem um grande diferencial sustentável por não usar carvão mineral”.
O projeto conecta a produção de carvão vegetal com discussões internacionais e preocupações mundiais, relacionadas a questões de mudanças climáticas e emissão de gases do efeito estufa, ressalta André Nahur, oficial de Programas da Unidade de Desenvolvimento Sustentável do PNUD Brasil. “Foi um processo muito amplo de construção de parcerias, então o projeto deixa esse legado. Nossa intenção é que o projeto, a partir daqui, tenha uma vida própria e com a articulação e fortalecimento institucional de todos os parceiros, que foram mais de 40 instituições”, afirma.
Fausto Cançado, presidente do Sindicato da Indústria do Ferro de Minas Gerais (SindifeMG), destaca como um dos pontos fortes do Siderurgia Sustentável a parceria com as universidades para aperfeiçoar o processo de produção de carvão vegetal. “A parceria com o meio acadêmico é fundamental porque é onde está o conhecimento, e nós buscamos trazer o conhecimento para a prática. Então eles são indutores nessa partes. A gente faz a união do conhecimento, do desenvolvimento, da tecnologia e das pesquisas com a prática”. Segundo ele, “as parcerias com a academia foram determinantes para que tivéssemos os resultados que nós tivemos”.
Já Ana Carolina Gomes, analista de agronegócios da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (FAEMG), chama a atenção para a capacitação proporcionada pelo SidSus aos pequenos produtores de carvão vegetal de Minas Gerais, começando pelo ensino de técnicas de plantio do eucalipto e finalizando com o processo de carbonização. “A atividade agrícola precisa ser tratada como uma cultura. É preciso de tecnologia, acompanhamento, assistência técnica, qualificação e entender todo o processo produtivo para ter eficiência e bons resultados dentro dessa cadeia”, resume.
O Projeto Siderurgia Sustentável foi criado para incentivar a redução das emissões de gases de efeito estufa na siderurgia brasileira. A iniciativa é implementada pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) com coordenação técnica do Ministério do Meio Ambiente, tendo ainda apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), do Ministério da Economia (ME) e do Governo de Minas Gerais. Os recursos do Projeto são do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF).
Para atingir seu objetivo, o Projeto busca o desenvolvimento e a demonstração de tecnologias e processos sustentáveis para a produção e o uso de carvão vegetal na indústria de aço, ferro- gusa e ferroligas. O carvão vegetal, além de ser utilizado como agente termorredutor por 20% das siderúrgicas, possibilita o aproveitamento de coprodutos, como o bio-óleo, reduz a geração de resíduos, cria empregos e diversifica a produção no setor rural. O projeto será concluído em 2021.
Como parte da Agenda 2030 das Nações Unidas, suas atividades se alinham aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Os resultados contribuirão de maneira efetiva para o ODS 7 – Energia Limpa e Acessível; ODS 8 – Trabalho Decente e Crescimento Econômico; ODS 9 – Indústria, Inovação e Infraestrutura; ODS 12 – Consumo e Produção Sustentáveis; e ODS 13 – Ação contra a Mudança do Clima.


