Não Sou Eva, por Euzi Rhamos

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Imagem IA.

Euzi Rhamos/Tv Sobrinho –

 

Não Sou Eva

Toda mulher nasce culpada.

Nos dão a culpa antes do nome,

antes do corpo,

antes da voz.

Nos dizem Eva —

a que estragou os planos de Deus.

Nos vestem com pecado,

 nos silenciam com vergonha.

Fui menina e fui violada.

Fui julgada pela saia curta

e não pelo monstro que carregava uma arma.

Fui crucificada enquanto ele sorria.

Mas hoje eu grito.

Hoje eu vomito esse fel.

Cavo com as mãos minhas memórias mutiladas

e as lanço ao fogo —

não para esquecer,

mas para queimar o altar da culpa.

O sistema tentou me dobrar.

A religião tentou me calar.

O medo tentou me adoecer.

Mas falharam.

Eu sobrevivi.

E mais que isso —

eu acordei.

Não sou Eva.

Não aceito.

Não me curvo.

Não carrego o que não é meu.

Eu não volto ao pesadelo.

Estou viva.

Sou madeira de lei.

E agora sou voz —

gritando com outras mulheres

para que nenhuma de nós

 seja semente de culpa

plantada por mãos sujas.

 

Reflexão – O Fim do Julgamento

 

Não há culpa em ser mulher.

O fardo não é nosso — é da cultura que nos moldou.

Quando uma mulher diz “basta”,

ela não está apenas se libertando:

ela está desconstruindo séculos de silêncio.

Que esse poema ecoe como tambor em corações calados.

Que toda mulher ouça:

você não é a queda do mundo — você é a raiz da cura.

 

Euzí Rhamos – Foto: Divulgação

Euzi Rhamos – Escritora e poeta mística. Residente em Mundo Novo há 45 anos, sua obra transforma as palavras em sentimentos poéticos desde os 12 anos. Autora de ‘O despertar do véu’, vol. l e ll, bem como “Âmago Ancestral”. A palavra, sentimentos e emoções podem mudar vidas e é através deste poder que a autora nos convida a trilhhar o caminho para de

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