Estudo aponta altos índices de depressão, estresse e insônia entre jornalistas brasileiros

0
9
Reprodução

Pesquisa com 257 profissionais de todo o país revela cenário de adoecimento mental, sobrecarga, assédio e violência no exercício da profissão

FENAJ –

Um estudo inédito sobre as condições de trabalho e a saúde mental dos jornalistas brasileiros revela um cenário preocupante de adoecimento psíquico, sobrecarga e violência no exercício da profissão. A pesquisa, realizada com 257 profissionais de todo o país, aponta que mais da metade dos jornalistas apresenta sintomas de depressão (50,2%) e quase metade convive com estresse (47,8%) e insônia (47,9%).

Os dados também mostram que 35,8% dos profissionais relatam sintomas de ansiedade, sendo que uma parcela significativa apresenta níveis severos ou extremamente severos.

Além do adoecimento mental, o levantamento evidencia a presença marcante de violência no ambiente de trabalho. Entre os entrevistados, de 26,1% a 37% afirmam ter sofrido assédio moral, a depender do critério utilizado, enquanto 30,4% relatam ter sido vítimas de cyberbullying.

Baixo apoio no ambiente profissional

O estudo também aponta fatores estruturais que ajudam a explicar esse cenário. Cerca de 28% dos jornalistas estão em situação de “alto desgaste” — caracterizada por alta demanda e baixo controle sobre o trabalho — e 61,1% percebem baixo apoio social no ambiente profissional.

Outro dado relevante diz respeito à capacidade de trabalho: mais da metade dos profissionais (51,8%) apresenta capacidade moderada, enquanto 33,1% já têm baixa capacidade para o trabalho, indicando impacto direto das condições laborais na saúde e no desempenho da categoria.

A pesquisa revela ainda que 21,5% dos jornalistas apresentam consumo de álcool em níveis de risco ou potencial dependência, o que pode estar associado ao estresse ocupacional e às condições adversas enfrentadas na rotina profissional.

Coordenado pelo secretário-adjunto de Saúde e Segurança da FENAJ, Norian Segatto, o estudo integra os esforços da entidade para compreender, com base em evidências, os impactos das transformações no mundo do trabalho sobre a categoria.

Para a presidenta da FENAJ, Samira de Castro, os resultados reforçam a urgência de políticas voltadas à proteção da saúde mental dos jornalistas e à melhoria das condições de trabalho. “O cenário exige medidas concretas por parte das empresas de comunicação, além do fortalecimento da negociação coletiva e da implementação de políticas de prevenção aos riscos psicossociais”, completa.

A pesquisa também ganha relevância no contexto da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que trata do gerenciamento de riscos no ambiente de trabalho. “Os dados fornecem subsídios importantes para a inclusão efetiva dos riscos psicossociais — como assédio, sobrecarga e pressão constante — nas políticas de saúde e segurança do trabalho”, afirma Norian Segatto.

Sobre a pesquisa

O estudo “Condições de Trabalho e Saúde Mental de Jornalistas no Brasil” foi realizado entre dezembro de 2024 e outubro de 2025, por meio de questionário online, com participação de jornalistas de diversas regiões do país. A amostra foi composta majoritariamente por profissionais com ampla experiência na área, com média de 18,6 anos de atuação.

Cristiane Oliveira Reimebrg, analista em Ciência e Tecnologia e jornalista da Fundacentro, acrescenta que a segunda fase da pesquisa, que constará de uma análise qualitativa dos dados sobre saúde mental, contará com entrevistas em profundidade.

Artigo anteriorComércio de Amambai terá regras especiais de funcionamento nos dias 26 e 28
Próximo artigoJuventude AG perde para ACBF e se despede da Copa LNF na semifinal

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui