Proposta em análise pelo Inep distribuiria questões de escrita pelas quatro áreas de conhecimento do exame
Campo Grande News/Ângela Kempfer –
O formato da redação do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) pode passar por uma mudança significativa a partir de 2028. O Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) discute substituir o atual texto dissertativo-argumentativo, de até 30 linhas, por quatro produções escritas menores, distribuídas entre as diferentes áreas avaliadas na prova.
A alteração ainda está em discussão e, portanto, não vale para as próximas edições do exame. Conforme as informações divulgadas, a proposta deverá ser finalizada até o fim deste ano.
Pelo modelo em estudo, a prova de Linguagens teria uma dissertação de 20 linhas. Já as avaliações de Ciências Humanas, Ciências da Natureza e Matemática teriam, cada uma, uma questão que exigiria uma resposta escrita de dez linhas. Na soma, o candidato produziria 50 linhas de texto ao longo do exame, em vez de concentrar a avaliação da escrita em uma única redação.
A discussão ocorre em reuniões técnicas do Inep. A intenção é ampliar os tipos de raciocínio exigidos dos estudantes, já que atualmente a capacidade de produção textual é avaliada principalmente por meio de uma dissertação sobre um único tema. Com o novo formato, a escrita também seria utilizada para verificar como o candidato desenvolve respostas relacionadas a diferentes campos do conhecimento.
A proposta representa uma mudança relevante porque a redação ocupa hoje um espaço próprio na preparação dos estudantes para o Enem. No formato atual, o participante precisa elaborar um texto dissertativo-argumentativo a partir de uma situação-problema e desenvolver uma argumentação dentro das exigências estabelecidas pelo exame.
A eventual reformulação da redação faz parte de uma discussão mais ampla sobre o papel do Enem. Em março, uma mudança já havia determinado que os resultados do exame também seriam utilizados para avaliar a aprendizagem dos estudantes ao final do ensino médio, em integração com o Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica).
Com isso, além de funcionar como porta de entrada para universidades, o exame passa a ter papel maior na produção de diagnósticos sobre a educação básica, incluindo o acompanhamento de desigualdades e metas educacionais.
Mesmo com as alterações em discussão, o Enem continuará sendo utilizado para acesso ao ensino superior. A nota permanece vinculada a programas como Sisu (Sistema de Seleção Unificada), Prouni (Programa Universidade para Todos) e Fies (Fundo de Financiamento Estudantil).
Por enquanto, porém, a troca da redação única pelas quatro produções textuais é apenas uma proposta. O formato definitivo ainda depende da conclusão das discussões técnicas do Inep.
*Com informações do Jornal O Globo




