Prestação de contas da 47ª Festa das Nações aponta avanços e define prioridades para 2027

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Evento registrou resultado líquido de R$ 807,2 mil para entidades beneficiárias e deixou R$ 76,1 mil provisionados para a próxima edição; análise também apontou setores que precisam de ajustes

Municipio de Guaíra –

Mais do que apresentar receitas, despesas e o resultado líquido da 47ª Festa das Nações, a reunião realizada na segunda-feira, 24 de agosto, permitiu uma análise detalhada do desempenho de cada setor do evento. Os dados comparativos revelaram avanços importantes, identificaram pontos que precisam de ajustes e abriram as primeiras discussões sobre a organização da 48ª edição. 

A prestação de contas foi apresentada pela Comissão Central Organizadora (CCO) e pela Associação Festa das Nações de Guaíra (AFNG) aos representantes das sete entidades beneficiárias: Ágape-Viva, Casa da Sopa, Lar São José, Associação Pestalozzi, Hospital AssisteGuaíra, APMI e Pastoral da Criança. 

O resultado líquido geral da edição de 2026 alcançou R$ 807.296,41. Desse total, R$ 731.153,17 correspondem aos recursos obtidos pelas sete entidades e R$ 76.143,24 permanecerão provisionados para as despesas iniciais da próxima festa. 

Como os números gerais já haviam sido divulgados, o encontro avançou sobre uma questão essencial: o que os resultados da 47ª edição ensinam para a preparação de 2027? 

Ferroquina compara as duas edições 

Presidente da 47ª Festa das Nações e vice-prefeito de Guaíra, Luiz Ferroquina, apresentou uma análise comparativa entre as edições de 2025 e 2026. A avaliação considerou não apenas os valores totais, mas também o desempenho médio diário, uma vez que a festa deste ano teve um dia a menos. 

Mesmo com a redução na quantidade de dias, a receita média diária cresceu aproximadamente 23%. O resultado médio diário também superou em 1,54% o índice da edição anterior. Para Ferroquina, os números demonstram que a festa preservou sua capacidade de arrecadação em um ano considerado atípico, no qual o público apresentou maior cautela nos gastos. 

Entre os setores que mais avançaram, o Bar Central registrou crescimento aproximado de 85%. As cessões de espaços públicos aumentaram cerca de 75% e foram apontadas como um dos principais acertos da edição. As receitas provenientes de apoiadores e patrocinadores também cresceram aproximadamente 37%. 

O resultado sob responsabilidade da organização apresentou evolução expressiva. Na edição anterior, os valores que permaneceram para custear a festa seguinte somaram cerca de R$ 26 mil. Após a 47ª edição, o montante provisionado chegou a R$ 76.143,24. Conforme a análise apresentada, o desempenho da CCO registrou crescimento superior a 260%. 

Ferroquina também destacou a redução do investimento municipal. Em 2025, o Município aplicou aproximadamente R$ 3 milhões na realização da festa. Em 2026, o valor ficou em cerca de R$ 2,3 milhões. Ainda assim, o evento manteve sua estrutura e ampliou a participação das entidades e de prestadores locais em diferentes setores. 

A análise não se limitou aos resultados positivos. O presidente da CCO também apresentou os setores que precisam de correções antes da próxima edição. 

A gastronomia das colônias registrou redução em relação ao ano anterior. O aumento dos preços dos insumos e das despesas operacionais comprometeu a margem de algumas entidades. Em determinados casos, o resultado das vendas ficou muito próximo do custo de produção. A recomendação é que cada instituição avalie cuidadosamente o cardápio, o preço dos produtos, a quantidade preparada e o custo da mão de obra. 

Os camarotes apresentaram queda aproximada de 42%, o que exigirá uma revisão do formato e da estratégia de comercialização. O estacionamento alcançou crescimento médio de cerca de 23%, mas apresentou uma oscilação acentuada em um dos dias da programação. 

Os custos das atrações culturais e do concurso da Rainha da Festa também deverão passar por avaliação. O objetivo é preservar a tradição e a qualidade da programação, com maior equilíbrio entre investimento, retorno e finalidade social. 

Show de Prêmios teve primeira operação formalmente regularizada 

O Show de Prêmios apresentou queda aproximada de 48% em relação à edição anterior. No entanto, a análise destacou que 2026 marcou a primeira realização da iniciativa dentro de um modelo formalmente regularizado, com contratação de empresa especializada, registro e cumprimento dos procedimentos exigidos pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda. 

A regularização exigiu uma nova estrutura de operação, controles financeiros, cadastro de participantes, conciliação bancária e tratamento específico para compradores com documentos estrangeiros. 

Ao todo, foram disponibilizadas 17 mil cartelas, das quais 7.634 foram vendidas. As vendas somaram R$ 229.020,00, com resultado líquido de R$ 204.169,00 após as comissões. 

As entidades ficaram com resultado líquido de R$ 132.190,00. Já a parte administrada pela AFNG e pela CCO registrou R$ 71.979,00 em receita e R$ 150.134,30 em despesas, que incluíram a estrutura geral da promoção, os prêmios e os demais custos da operação. A diferença de R$ 78.155,30 foi absorvida pelo resultado dos patrocínios. 

Embora o desempenho tenha ficado abaixo do esperado, a primeira edição regularizada deixou processos definidos e dificuldades já identificadas. Para 2027, a proposta é iniciar a comercialização das cartelas com pelo menos 90 dias de antecedência. 

Também foi discutida a possibilidade de transformar o Show de Prêmios em um projeto anual, com sorteios em datas estratégicas. A medida poderia manter o público próximo da festa, formar uma base permanente de participantes e gerar receitas ao longo do ano para a associação e as entidades. 

Vice-presidente da CCO e secretária municipal de Turismo, Esporte e Cultura, Ana Foletto apresentou aspectos concretos relacionados à estrutura e ao financiamento da edição. 

Além da redução do investimento municipal, de aproximadamente R$ 3 milhões para R$ 2,3 milhões, a organização conseguiu viabilizar cerca de R$ 550 mil em recursos estaduais. A liberação exigiu a elaboração e o acompanhamento de protocolos, projetos e prestações de contas dentro dos prazos estabelecidos pelo Estado. 

Ana também destacou que a participação das entidades e de empresas locais na operação de espaços contribuiu para manter uma parcela maior dos recursos na própria cidade. A avaliação reforçou o impacto da festa sobre o turismo, o comércio, a prestação de serviços e a economia de Guaíra. 

Outro ponto defendido foi o início antecipado da preparação de 2027. A definição da próxima CCO ainda neste ano permitirá a abertura prévia das negociações com patrocinadores, fornecedores e parceiros, além de oferecer mais tempo para corrigir os setores que apresentaram queda. 

Presidente da Associação Festa das Nações de Guaíra, Maria Guilherme Noguchi falou em nome da entidade que reúne as sete instituições beneficiárias da festa. 

Dona Maria reconheceu o trabalho desenvolvido pela presidência e pela vice-presidência da CCO, além da dedicação das equipes, dos voluntários e das instituições. Para ela, os resultados apresentados demonstram que a organização avançou e que o conhecimento adquirido nesta edição não deve ser perdido. 

Em nome das entidades, a presidente da AFNG pediu ao prefeito Gileade Osti que Luiz Ferroquina e Ana Foletto permaneçam, respectivamente, como presidente e vice-presidente da Comissão Central Organizadora da 48ª Festa das Nações. Também destacou que a contratação da Sabrina Aquino, Presidente da ACIAG para resoluções e intermediação dos processos entre entidades e demais foi um acerto. 

O pedido representa uma manifestação de confiança das sete instituições no trabalho realizado pela atual comissão. Também reforça o desejo de continuidade dos processos implantados, especialmente na organização financeira, na formalização de contratos, na captação de recursos e na estruturação da AFNG. 

A Associação Festa das Nações passou a ocupar um papel central na administração do evento. As contas bancárias, os cadastros de fornecedores e patrocinadores, os contratos e os centros de custos agora estão vinculados à própria AFNG, o que oferece maior autonomia e continuidade entre uma edição e outra. 

A reunião também apontou prioridades para a próxima festa: revisar o estatuto da AFNG, definir antecipadamente a CCO, avaliar o número de dias do evento, reduzir credenciais gratuitas, controlar os custos das barracas, reformular os camarotes e aprimorar o Show de Prêmios. 

O prefeito Gileade Osti recebeu o pedido das entidades e reconheceu a importância do trabalho coletivo na construção do evento. A definição da próxima comissão ocorrerá por decreto municipal. 

A análise da 47ª Festa das Nações demonstrou que uma prestação de contas não serve apenas para informar quanto entrou, quanto foi gasto e quanto restou. Quando os números são examinados com responsabilidade, eles revelam acertos, expõem fragilidades e indicam caminhos. 

Com uma estrutura administrativa mais sólida, R$ 76.143,24 provisionados e o apoio expresso das sete entidades à continuidade da atual presidência da CCO, a preparação da 48ª Festa das Nações já começa amparada pelos aprendizados de 2026. 

 

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