Carina Yano/Tv Sobrinho –
Dias atrás um amigo meu estava diante de uma situação difícil e ele me disse: “ah, mas dói.”
Eu olhei pra ele e falei: “Sim, exatamente. Seja bem-vindo a vida. Sustenta esse desconforto, faz parte da vida sentir dor.”
Não quero apontar a situação de gerações ou algo do tipo, porque seria muita generalização, mas preciso reconhecer que é uma realidade atual essa coisa de tentar sufocar qualquer tipo de desconforto.
Isso sempre existiu, mas acredito que hoje em dia temos mais possibilidades de como fazer isso.
Medicações, açúcar, álcool, compras, redes sociais, vaidade entre outras mil coisas para poder se distrair da própria miséria.
Como sou mais velha que esse meu amigo, pensei: “hum, esse menino precisa passar por muita coisa ainda.” Não tem como sair ileso dessa vida. É necessário saber sofrer.
Saber sofrer significa encarar o beco escuro e vazio de cabeça erguida. Saber sofrer é olhar para a vida e perceber que você é comum e irá passar por inúmeras dores como qualquer outro ser vivo nesta terra, pelo menos enquanto estiver vivo.
Saber sofrer é também se permitir chorar, mas depois levantar e ir lavar a louça.
É inevitável querermos passar pelos momentos difíceis de forma rápida e prática, mas como disse nosso querido humorista na Copa 2026, Diogo Defante: “Só existe alegria porque existe a tristeza.”
“É normal na guerra se ferir”. Esta frase é de uma música chamada ‘Coração Valente’. Conheci ela em um momento muito especial da minha vida.
Quando eu estava pensando sobre o sofrimento e a dor, lembrei dessa frase. E ela acabou se encaixando muito bem no que eu queria trazer.
Na vida você escolhe lutar ou escolhe se esconder. É guerra.
E sendo repetitiva como em meus outros textos: a guerra é interna. Existem inúmeras lutas na vida, mas se você não domina a sua mente, ela vai dominar você.
Abraçar o jogo significa olhar para si mesmo com humildade e respeito, entendendo que ninguém vai te salvar e muito menos ter dó de você. Todo mundo tem uma história triste pra contar, mas o que você faz com isso? Deixa-a te consumir ou respira fundo e continua navegando?
Acho que uma das coisas que pode nos ajudar, é praticar a arte do desapego e abrir mão do controle.
Desapegar de momentos felizes e momentos tristes. Tudo é passageiro.
Eu entendo que as vezes a gente quer que aquele momento incrível dure para sempre, mas isso não é a realidade. São como as nuvens, como os pensamentos, eles simplesmente passam.
Eu sei, as vezes a vida nos pega de surpresa com tempestades e quase sempre não estamos preparados. Mas o que resta, se não for, logo em seguida, a reconstrução?
Já dizia Belchior: “Vida, pisa devagar, meu coração, cuidado, é frágil.”
Paradoxalmente me sinto feliz por causa do sofrimento e da dor. Se eles não existissem, seria praticamente impossível melhorar como ser humano.
Eu acredito que a humildade é uma das principais virtudes. É como se dela se ramificasse todas as outras virtudes importantes.
Momentos desafiadores, desafiam quem nós somos. A principio isso pode nos afetar de um jeito que faça nos sentirmos mais pequenos, frágeis e até fracos. A gente pode até quebrar, mas é por esta fresta que a luz pode passar.
Se não fosse pelas pancadas da vida, eu não teria a maturidade que tenho hoje.
E eu sei que muitas ainda virão. Que Deus possa me ensinar a lhe dar com cada uma delas e me dar suporte para ser cada vez melhor como ser humano. Que ele possa ser a minha base, sempre.
Como diz o amor da minha vida: “Difícil mesmo é ser lúcido.”
*O material pode ser reproduzido, desde que seja dado os créditos, com o nome do autor e da empresa, no início da matéria, como no exemplo deste conteúdo. Caso esta prática não seja respeitada – com o nome ao final do texto somente – o conteúdo acima está desautorizado para reprodução, podendo sofrer consequências judiciais. A prática existe para preservar o investimento feito pela Tv Sobrinho no seu Jornalismo.



