Troca de figurinhas da Copa transforma qualquer encontro em ponto de socialização

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(Foto: Madu Livramento, Midiamax)

Em Mundo Novo, a Loja Gazin realiza troca de figurinhas nos sábados 

Osvaldo Sato/MidiaMax –

Mesmo em um ano em que a Seleção Brasileira não aparece entre as principais favoritas ao título, uma tradição segue mobilizando crianças, adolescentes e adultos: a troca de figurinhas da Copa do Mundo. O que antes acontecia principalmente nas bancas de revista agora se espalha por diferentes espaços da cidade.

Shoppings, escolas, igrejas, praças e até arenas esportivas passaram a virar pontos improvisados de encontro para colecionadores em busca das figurinhas mais difíceis do álbum. Na Vila Antônio Vendas, em uma arena esportiva da Capital, o movimento de troca já virou rotina antes e depois das atividades esportivas.

Enquanto aguardam treinos, partidas ou o fim das aulas, crianças se reúnem em rodas com pilhas de figurinhas repetidas nas mãos. Os adultos, que muitas vezes acompanham os filhos, acabam entrando na brincadeira e relembrando as coleções das Copas antigas.

O empresário Rafael Fogaça, de 42 anos, acompanha os filhos nos encontros e percebe que a troca virou uma experiência além da coleção.

“Eles socializam, conversam olhando no olho, não através da tela. Tem também a questão da negociação. Minha filha tirou uma figurinha rara e já queria pesquisar quanto valia para usar nas trocas”, contou.

Segundo ele, a prática também acaba ensinando educação financeira. “Eles têm mesada, compram com o próprio dinheiro, negociam, fazem contas e aprendem a dar valor às coisas”, explicou.

A filha dele, Esther Fogaça, contou que o interesse começou ao ver os amigos trocando figurinhas. “Você compra o álbum e pensa que precisa completar. Aí vai trocando, conversando e fazendo amizade”, disse.

Já a empresária Carolina Dolzan acredita que os encontros ajudam até crianças mais tímidas a perder o medo de conversar. Ela lembra uma situação vivida recentemente pelo filho em um restaurante.

“Ele viu um casal com uma garrafinha de refrigerante que vinha com figurinha e criou coragem para ir até a mesa perguntar se eles iam usar. Não conseguiu a figurinha, mas venceu a barreira de conversar com pessoas que ele nem conhecia”, relatou.

Para ela, além da diversão, o álbum acaba criando momentos de convivência entre pais e filhos. “No mundo tão digital que a gente vive hoje, isso traz as pessoas para o contato presencial. Vira assunto em casa, gera interação e cria memórias em família”, afirmou.

Para quem tem interesse nos eventos de trocas, eles estão sendo anunciados nas redes sociais dos locais que os promovem. São bancas, clubes, escolas, associações e até mesmo igrejas.

Figurinhas da Copa

O álbum oficial da Copa do Mundo de 2026 é considerado o maior da história. A coleção da Panini conta com 980 figurinhas, incluindo cromos especiais metalizados, e acompanha a expansão do Mundial, que, pela primeira vez, terá 48 seleções participantes.

O álbum mais simples, em versão brochura, custa R$ 24,90, enquanto as edições de capa dura variam entre R$ 74,90 e R$ 79,90. Já os pacotinhos com sete figurinhas são vendidos a R$ 7 cada, mantendo o valor de R$ 1 por figurinha.

Para quem sonha em completar a coleção, o investimento pode ser alto. Na conta mais otimista, sem nenhuma figurinha repetida, seriam necessários 140 pacotes, o equivalente a R$ 980 apenas em cromos.

Mesmo assim, a tradição continua mobilizando crianças, adolescentes e adultos em bancas, escolas, shoppings e grupos on-line de troca. Nas redes sociais, muitos colecionadores têm organizado encontros para reduzir gastos e acelerar a missão de fechar o álbum antes do início da Copa de 2026, que será disputada nos Estados Unidos, no México e no Canadá.

Edição: Raysa Almeida/Tv Sobrinho

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