Carina Yano/Tv Sobrinho –
Ando acreditando que a humildade é um superpoder humano.
Uma vez tirei uma carta de um baralho que dizia: ‘a humildade pode se tornar um hábito?’ Fiquei pensando sobre isso por uns bons dias. Tinha dúvida.
Com o passar do tempo, fui percebendo que era uma virtude que pode sim, se tornar um hábito. Pode ser construída e cultivada.
Só que o desafio é tremendo. Sinto que a humildade, em especifico, é uma das virtudes mais difíceis de ser sustentada.
Todos nós seres humanos temos um ego, que muitas vezes, é um pouco frágil. A nossa tendência é pender para a arrogância. É como a gravidade, ela nos puxa para baixo todos os dias e nosso papel é tentar alcançar algo que seja maior que nós. “Buscai as coisas do alto”.
Além disso, a humildade é banalizada e mal interpretada.
Ser humilde não é ser inferior ou se colocar nessa posição propositalmente.
Etimologicamente, ser humilde significa estar nivelado ao chão, reconhecer sua própria origem terrena e manter os “pés no chão”. Reconhecer as próprias limitações sem superestimar a própria importância.
Me lembra um pouco o Caminho do Meio, termo descrito pelo Siddhartha Gautama (Buda) que propõe uma vida sem os extremos. Nem tanto o céu, nem tanto o inferno.
As pessoas que eu conheci, e que eram humildades, tinham uma presença interessante e uma potência muito grande. Possuíam uma certa elegância discreta.
Acho os super-heróis estão por aí, mas provavelmente são invisíveis nessa sociedade.
A humildade é silenciosa, não pede por atenção, mas ao mesmo tempo é firme como uma rocha. Ela consegue nos colocar no nosso próprio lugar.
Sinceramente já perdi as contas de todas as vezes que fui arrogante. Comigo mesma, com os outros e com a vida. Quando me lembro de alguns episódios, confesso, sinto-me envergonhada.
Parece que a arrogância, diferente da humildade, nos tira do eixo e nos deixa cegos perante a realidade. A arrogância nos coloca no lugar de uma criança mimada, birrenta e que se acha ainda por cima.
Só que a vida é inteligente. Quando escolhemos esse caminho, ela nos coloca em contextos que desafiam essa arrogância. Contextos muitas vezes difíceis, como uma longa travessia cheia de espinhos.
A vida não está nos punindo. Ela quer que a gente simplesmente cresça.
Como canta Gal Costa: “é preciso estar atento e forte..”
As vezes não estamos conscientes das atrocidades que cometemos quando estamos operando na arrogância. E a vida vai lá e nos pega de surpresa com experiências de dor e sofrimento. Uma ‘tapinha carinhoso’ do Universo.
Você não é melhor que ninguém e nem pior que ninguém.
Você é o que é, dentro da sua própria história.
Sei que é difícil se equilibrar nesta corda bamba, mas sinto no fundo do meu coração que todos os caminhos nos levam a humildade.
Quando a raiva passa, quando a tristeza e a angústia vão embora, quando uma lição é aprendida, quando a festa acaba, quando você fica só, quando alguém morre, quando as pessoas se reúnem para celebrar, quando é final do ano, quando nasce um bebê, quando seu cachorro te recebe na porta, quando fazem uma corrente de oração, quando vamos acampar, quando olhamos para o céu, quando alguém adoece e quando o mundo está prestes a acabar…
O que resta?
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Ótima matéria .sucesso