Carina Yano/Tv Sobrinho –
Na minha cabeça o tema ‘autoconhecimento’ já está um pouco banalizado, mas ainda é pauta para ser aflorada nas pessoas.
Um antigo aforismo grego já dizia: “Conhece-te a ti mesmo”. Esta pequena frase demonstra a importância de olhar para dentro e de explorar todas as nossas nuances para nos tornarmos inteiros e mais autênticos.
Mas como começar e onde termina?
Existem inúmeras práticas que podem colaborar com este processo, mas honestamente, acredito que essa jornada é mais simples. E também complexa.
Não acho que exista um fim. Até o momento da nossa morte, sempre existirá algo para refletirmos sobre nós mesmos. E a pessoa pode começar essa autoanalise ao acordar pela manhã ou em qualquer hora do dia.
Por que me senti dessa forma depois de determinada situação? Por que falei desse jeito? Quais são as minhas virtudes? Por que tenho pensamentos tão autodestrutivos? O que faz sentido pra mim?
O questionamento é infinito e sem garantia de respostas exatas. De repente uma terapia pode ajudar nessa exploração.

A questão é que é necessário estar disposto e estar ciente que essa jornada será desconfortável.
Diferente daquele estereótipo do ser iluminado que despertou de pura paz e amor, o caminho do autoconhecimento é cheio de espinhos, labirintos e tempestades.
A vertigem vai ser grande e vai te fazer vomitar inúmeras ilusões. E acredite, essa transformação interna não será só benéfica para você, mas para as pessoas ao seu redor. É uma contaminação do bem.
Além disso, será necessário entrar em contato com as suas próprias sombras. Aquilo que está escondido, reprimido, que só você sabe que existe em você (e as vezes nem sabe rs).
Afinal, você não é só essa luz radiante. Ou você pensa que não pode ser uma pessoa ruim? Sim, em algum momento você foi uma pessoa ruim, ou ainda será.
Calma.
A maioria das coisas não se explicam de forma tão simplória, mas aqui eu preciso ser mais breve (se não o diretor do site pode achar que eu me estendi demais rs).
A real é que temos o potencial de sermos bons, mas também temos o potencial para fazer o mal.
Nós julgamos, mentimos (inclusive para nós mesmos), entre outras inúmeras situações horrendas que o ser humano pode cometer.
A sombra vai agir em ações inconscientes. Por isso a importância de reconhecer as nossas próprias sombras e nos tornamos pessoas inteiras e mais conscientes.
Nessa exploração pode surgir sentimentos de culpa, vergonha, angústia, mas isso é normal. Não precisamos nos apegar nestas partes, mas precisamos olhar elas nos olhos e tentar compreender porque estão ali.
Faz parte da condição humana essa dualidade.
Sou suspeita para dizer. Sempre gostei destes assuntos e já tive muitas experiências relacionadas a estes temas. Seja estudando, em terapia, em retiros, em conversas e até em conteúdos artísticos, como filme e música.
Os próprios acontecimentos diários da nossa vida já são conteúdos o suficiente para nos conhecer melhor. As relações por exemplo, são divinas para esta auto exploração.
Por ser algo tão intimo e natural para mim, digo que para embarcar nisso é necessário estar disposto para sentir. Porque não vai ser fácil. É necessário saber sustentar o desconforto.
O autoconhecimento é inevitável e libertador. E através disso que todo o resto se abre em nossa vida. É partir desse caminho que é possível criar algo.

Mas tenha cuidado. Para além do autoconhecimento, é necessário saber que também somos seres limitados. Nem sempre teremos todas as respostas.
Não viemos nesse mundo sozinhos né? Não nos criamos sozinhos.
Eu acredito que tem coisas que estão fora da nossa compreensão e que simplesmente devemos humildemente aceitar certas coisas.
O autoconhecimento não vai te deixar imune na vida e você não sairá ileso daqui.
Continuaremos expostos, mas claro, com menos bagagem do que achamos que éramos.
Talvez o equilíbrio seja respeitar as nossas limitações diante da imensidão da vida, mas ao mesmo tempo não se acomodar diante do mistério de nós mesmos.
Retirar as camadas e ver o que tem no meio.

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