Existe um silêncio dentro de você

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Foto: Ilustrativa/Pinterest

Carina Yano/Tv Sobrinho –

Recentemente eu retornei a praticar yoga (em casa mesmo com auxilio do Youtube).

Uma prática milenar indiana que une corpo e mente, através da respiração e uma série de alongamentos e posições.

A etimologia da palavra yoga (ou ioga) deriva da raiz sânscrita que significa unir, juntar ou melhor integrar. A palavra integração foi a que mais fez sentido na minha cabeça.

Uma conexão do eu individual com o eu superior/divino.

Vejo que o yoga é uma junção perfeita para harmonizar um sistema tão complexo como o do ser humano.

Uma prática que tentar equilibrar todas as partes em busca de foco, regeneração emocional e força.

Os estudos recentes em relação a prática de yoga mostram inúmeros benefícios físicos e emocionais. Maior flexibilidade, maior gestão do estresse, ansiedade e depressão, aumento da massa cinzenta do cérebro, ou seja, a parte responsável pelos processos mentais, incluindo linguagem, memória, aprendizado e tomada de decisões.

Alívio de dores crônicas, melhora do humor, regulação da pressão arterial e diabetes tipo 2 entre tantos outros benefícios proporcionados por uma prática que existe a mais de 2 mil anos.

A meditação durante o processo também é um destaque a ser lembrado. A atenção plena é um dos maiores desafios da atualidade, e nada mais interessante uma prática como essa para ir contra a maré.

Na minha experiência ando percebendo coisas interessantes. Enquanto você está fazendo os movimentos, respirando, se equilibrando e focando, nada mais importa. Só aquele momento importa.

O processo se torna a própria recompensa. O yoga nos ensina que a vida também é assim.

Terá inúmeros desconfortos onde inevitavelmente você irá sentir dor para alcançar o outro lado. E no yoga não é diferente.

Principalmente no começo, você percebe o quão travado você está rs.

O mais interessante é que essa rigidez não é só física, pode ter certeza que é mental também.

Só que mesmo travado, nós continuamos tentando nos alongar, mais e mais. Sem pressa e sem pressão para fazer um movimento perfeito. Cada um no seu tempo.

Esse processo te mostra que existe uma fluidez a ser seguida e a respiração ajuda muito nesses momentos.

Primeiro vem o desconforto e depois o conforto de perceber que o seu corpo é silencioso. E eu percebi isso.

Existe uma postura chamada Balasana, a postura da criança, quando fiquei nela senti profundamente o quão silencioso estava dentro de mim. Acho que posso chamar isso de paz.

Foto: Ilustrativa/Pinterest

Dava vontade de ficar eternamente naquele instante.

A prática se torna uma jornada de presença. Essa integração nos mostra que é possível se equilibrar em meio ao caos.

Foco.

Claramente aquele pensamento de ‘quem prática isso é mais iluminado, ou mais evoluído’ é pura bobagem. Pelo contrário, é um exercício diário de humildade para reconhecer o quanto precisamos melhorar como seres humanos.

Honestamente eu busquei por inúmeros motivos. Seja pela ansiedade, flexibilidade e equilíbrio emocional.

O yoga nos traz de volta para o centro em um mundo cheio de ruídos e que despreza o silêncio.

É muito fácil se esquecer de práticas que nos elevam e mais fácil ainda se entregar para ações que podem nos fazer mal.

Esse texto é um convite para você refletir sobre as suas ações diante das dificuldades da vida. O que você anda cultivando? Como você reage consigo mesmo e com os outros? Está faltando equilíbrio? Presença?

Como nos preparar para o imprevisível? Como podemos mudar padrões que se tornam tóxicos para nós mesmos?

Percebo que é necessário se fortalecer em todos os sentidos possíveis. Físico, mental e espiritual. Não consigo enxergar a existência sem o equilíbrio desses pilares.

Mas tudo é construção.

E essa construção acontece ao longo do tempo em meio as nossas falhas. O equilíbrio só acontece quando estamos em movimento.

De qualquer forma, deixo aqui uma frase de um dos meus filmes preferidos:

Você não tem ossos de vidro. Pode suportar os baques da vida.” (O fabuloso destino de Amélie Poulain – 2001)

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