Uma tragédia: me debruço sobre o seu túmulo, grito e choro, mas você não me escuta

0
76
Foto: Ilustrativa/Pinterest

Carina Yano/Tv Sobrinho –

Carta aberta

Era uma manhã bonita. Com neblina e uma pintura no céu com cores alaranjadas, azul e lilás. Deus realmente é um artista.

Parecia uma manhã perfeita para encontrar quem você ama.

Mas a vida é imprevisível demais, né? Ela te pega de surpresa numa curva.

Um recado pode mudar toda a sua história. O que fazer quando alguém parte o seu coração? Você chora. O que mais você pode fazer? Não tem como sair ileso dessa vida.

O dia que era doce, se transformou no dia mais amargo da minha vida. Uma tragédia em que eu não tinha o poder de evitar. Apenas ouvir, me pronunciar e chorar.

Foto: Ilustrativa/Pinterest

Uma morte em vida. Um término.

Como assim, meu Deus? O que está acontecendo? Quantos lutos em tão pouco tempo

Universo, vida, me diz, o que eu faço com toda essa dor que me consome? Queria tanto que fosse apenas um pesadelo…

Como atravessar crenças sabotadoras de outra pessoa?

Era meu sonho limpar as suas lentes e te fazer enxergar a besteira que está fazendo, mas eu não tenho esse poder. Não consigo nem sentir ódio. Eu só lamento.

Cada um constrói a própria narrativa diante das suas próprias crenças, valores e tudo que compõe o conteúdo mental.

Aquele que ouvia Belchior onde dizia: “não quero o que a cabeça pensa, quero o que alma deseja“; de forma contraditória, escolheu o que a cabeça pensa.

O buraco que ficou em mim é proporcional ao tamanho do universo. Tudo me atravessa.

Foto: Ilustrativa/Pinterest

Ando extremamente confusa, perdida e vulnerável.

Essa é a dor de perder alguém. Você perde o chão. Praticamente a sensação de um luto.

Me debruço sobre o seu túmulo, choro e grito, mas você não me escuta.

Uma verdadeira tragédia diante de um romance saudável e alegre. Eu achava que era só nos filmes que não daria para impedir certas coisas, mas a vida real nos mostra que tem coisas que não dá mesmo. Só nos basta, assistir, refletir e respirar.

Para aqueles que sentem demais, é um dos maiores desafios da vida.

Como não se perder em meio à turbulência? Como não ser arrastado por esse tornado?

Talvez eu seja um imã para o caos e agora eu não sei o que fazer com os destroços.

Não sei quando a minha ficha irá cair, mas espero que quando cair eu esteja firme.

A vida vem me apresentando uma série de mortes, e eu, honestamente, já não sei o que fazer com tudo isso, mas eu sei que na vida todo mundo sangra. A vida dói, dói demais.

Olá melancolia, minha velha amiga, seja bem-vinda novamente. Minha companheira de décadas retorna.

Foto: Ilustrativa/Pinterest

O mais engraçado sobre os términos é ouvir: “ah, mas você é jovem“. E o que isso importa quando se é uma jovem que sente a vida em sua maior profundidade? Parece que a minha alma já sentiu tudo que tinha para sentir, e ela está simplesmente cansada.

Peço ao vento que me leve, porque já não tenho mais forças para andar debaixo desse temporal.

Vou te dizer. O filósofo francês Jean-Paul Sartre diz que ‘o inferno são os outros’, mas a real é que nós construímos o inferno dentro de nós mesmos. A gente vive o inferno aqui mesmo, vivos.

Diante da minha pequenez, me parece que os planos de Deus estão completamente longe da minha compreensão. Ninguém entende.

Como se despedir de quem você ama? Como dizer adeus para o seu parceiro de vida sabendo que ele também te ama?

Foto: ilustrativa/Pinterest

Apesar de tudo, eu posso morrer feliz, porque conheci alguém onde eu podia tirar todas as minhas armaduras e me aconchegar nos abraços denominado ‘lar’. Existia vulnerabilidade e honestidade e eu aprendi a amar.

Onde tanto eu como ele poderia ser quem se é, sem julgamento, livres…

E isso não é amor?

A verdade é que é muito fácil ser feliz, é muito simples. A infelicidade das pessoas tem raiz em sua mesquinhez.

A gente complica e a vida continua ai. O tempo rolando e a gente envelhecendo.

Se as pessoas tivessem a consciência do quão rara é a vida e tão passageira, não iriam desperdiçar aquilo que nunca mais pode voltar.

Engraçado que a frase do meu filme preferido nunca fez tanto sentido como agora: “a felicidade só é real quando compartilhada.”

Agora, o peito bate vazio. E o silêncio, nunca foi tão ensurdecedor.

Ninguém é perfeito, não te achava, mas era perfeito pra mim.

Obs. A nossa caixa de comentários está aberta mais abaixo, caso o leitor queira participar. Não é obrigatório, mas escrever o seu nome e a cidade enriquece a interação.

*O material pode ser reproduzido, desde que seja dado os créditos, com o nome do autor e da empresa, no início da matéria, como no exemplo deste conteúdo. Caso esta prática não seja respeitada – com o nome ao final do texto somente – o conteúdo acima está desautorizado para reprodução, podendo sofrer consequências judiciais. A prática existe para preservar o investimento feito pela Tv Sobrinho no seu Jornalismo.

 

Artigo anteriorSuperior Tribunal de Justiça rejeita recurso que queria anular posse de terra indígena em Paranhos

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui