Carina Yano/Tv Sobrinho –
Uma vez vi uma frase que dizia: “Me despeço dos fins tarde como se fossem fins de vida”.
Não sei de quem é essa frase, mas ela me tocou profundamente. Parece que eu sentia o mesmo que o autor que escreveu isso.
Existe uma beleza invisível nos fins de tarde que nos faz lembrar da efemeridade das coisas. O pôr do sol e todas aquelas cores no céu se torna um presente para os nossos olhos. Não tem como não se sentir grato por estar vivo e por mais um dia que se foi.
A temperatura fica mais amena, os pássaros começam a dançar no ar, as pessoas começam a ir embora para as suas casas e fica o cheiro no ar de reencontro e despedida ao mesmo tempo.
Quando olho para o céu no fim da tarde sinto o Universo sussurrar: “essa foi mais uma oportunidade para você viver”. É mais uma noite que se anuncia.
As luzes da cidade começam a se acender e o corpo já está um pouco cansado.
Minha conexão com esse horário do dia não tem muita explicação (assim como muitas coisas na vida), mas arrisco dizer que seja uma combinação de coisas.
Desde meu lado fotógrafa que aprecia uma boa luz, até o meu lado mais melancólico e existencialista. A melancolia já me fez estagnar na vida, mas hoje em dia eu a uso a meu favor. Uso ela para mostrar a beleza simples que existe no ordinário.
A melancolia também já foi espaço na qual me acostumei ficar para não ser surpreendida pelas imprevisibilidades tristes da vida.
Retornado aos fins de tarde, a ‘hora azul’ ou mais comum ‘blue hour’ por exemplo, é bem conhecida entre os fotógrafos mostra a dimensão desse azul.

Ela acontece quando a elevação do sol está entre -4 graus e -6 graus, logo abaixo da linha do horizonte, antes do nascer do sol ou logo após o pôr do sol.
Acho que os fins de tarde é aquele momento de pausa entre uma coisa e outra. Existe até um conceito japonês para isso chamado MA. Aquele silêncio entre uma conversa e outra, o silêncio entre as notas ou o vão em uma construção.
Um espaço na qual você pode refletir e respirar.
Esse quase anoitecer já me trouxe inúmeros insights, reflexões, inspirações e amparo. A conexão com tudo que existe já foi uma companhia invisível para mim em momentos tristes, desafiadores e angustiantes.
Talvez esse seja um dos momentos mais específicos para fazer as pessoas saírem do modo automático e olharem para cima, ou melhor, para o horizonte.
Existe algo em mim, que talvez eu tenha herdado da parte oriental da família do meu pai, que aprecia imensamente esses momentos onde estamos imersos no presente. Claro que a ideia é aproveitar o presente em todos os horários do dia, mas é claro que no por do sol, ou até no nascer do sol, habita uma certa magia.
Finalizo com uma frase do cineasta de mangá japonês e co-fundador do Studio Ghibli, Hayao Miyazak, na qual ele disse em uma entrevista: “quando morreres não poderá ver o entardecer. És realmente muito lindo.”

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