A cada 9 dias, uma mulher é assassinada em Mato Grosso do Sul

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Cinira de Brito, Vanessa Eugênia, Vanessa Ricarte e Karina Corim (Fotos: Arquivo pessoal)

A triste estatística começou em fevereiro e o último caso ocorreu em 31 de julho

Gabriel Neris/Campo Grande News –

Entre 1º de fevereiro e 31 de julho de 2025, pelo menos 20 mulheres foram mortas no Estado em crimes classificados ou com indícios de feminicídio.

O levantamento revela um padrão: são 180 dias com 20 mortes, o que leva à média de um assassinato a cada nove dias, um alerta sobre a persistente violência de gênero que atravessa o Estado.

Entre os casos mais recentes está o da professora Cinira de Brito, de 52 anos, morta no último dia de julho dentro de casa em Ribas do Rio Pardo. O principal suspeito é o companheiro. Segundo relatos da família, a vítima sofria violência psicológica e havia sido isolada do convívio com amigos e parentes. No mesmo mês, a jovem Juliete Vieira, de 26 anos, foi morta com um golpe de faca no pescoço, em Naviraí. O autor foi o próprio irmão, que primeiro alegou se tratar de uma brincadeira de luta.

O primeiro feminicídio do ano ocorreu em 1º de fevereiro, na cidade de Caarapó, e teve como vítima Karina Corim, de 29 anos. Ela foi baleada pelo ex‑companheiro dentro de sua loja de acessórios para celular, enquanto estava com uma amiga e uma cliente. O agressor invadiu o estabelecimento, exigiu que a cliente saísse, atirou em Karina à queima-roupa e, em seguida, ateou fogo ao local. A amiga, Aline Rodrigues, também sofreu disparos e morreu. Renan Dantas Valenzuela, 31 anos, tirou a própria vida no hospital algumas horas depois. Karina chegou a ser socorrida e transferida para o Hospital da Vida, em Dourados, mas morreu em 4 de fevereiro. A jovem havia registrado denúncias contra o ex no dia anterior, solicitando medida protetiva.

Do início do ano até aqui, alguns crimes marcaram a opinião pública pela brutalidade ou pelo simbolismo. Foi o caso da jornalista Vanessa Ricarte, assassinada em Campo Grande no dia 12 de fevereiro. Em áudio, Vanessa reclamava do atendimento na delegacia, o que provocou mudanças profundas na forma de abordagem.

Outro caso de grande comoção foi o duplo feminicídio de Vanessa Eugênia Medeiros e da filha, a bebê Sophie Eugênia, de apenas dez meses, mortas em 26 de maio. O autor foi o companheiro de Vanessa e pai da criança. Ele tentou simular um desaparecimento para despistar a polícia, mas acabou preso em flagrante.

O crime de feminicídio é definido no Código Penal como o homicídio praticado “contra a mulher por razões da condição do sexo feminino”. A pena prevista é de 12 a 30 anos de reclusão, com agravantes que podem elevar a punição, como quando a vítima está grávida, é menor de 14 anos ou possui alguma deficiência.

Diante do cenário, campanhas de conscientização têm sido criadas para tentar frear esse ciclo. Uma delas é a #TodosPorElas, iniciativa nacional que reúne os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.

Somente em 2024, o Estado contabilizou 11.427 casos de violência doméstica, segundo dados apresentados durante seminário com participação da ex-ministra.

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