Uma Herança Problemática

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Capital News –

Todos somos filhos da cultura em que estamos inseridos, pois somos gerados e formados por ela, e podemos transformá-la, gerando uma nova cultura a partir da antiga, da qual seremos os “pais”.

Como filhos desta época, todos estamos, de algum modo, sob o influxo da cultura atual que, sem deixar de apresentar novos valores e novas possibilidades, pode também limitar-nos, condicionar-nos e, até mesmo, nos abater e nos deteriorar.

A cultura de um povo tem uma grande influência nos indivíduos que a formam; sua filosofia, após instaurada e aceita, tem a capacidade de moldar todo o pensamento e imaginário popular, sem que as pessoas percebam, mudando sua forma de pensar, seus hábitos, suas ações, e toda sua forma de enxergar, compreender, e atuar no mundo e, assim, toda a vida dos indivíduos que compõem a sociedade é transformada.

E isso tem impacto nas gerações posteriores, onde, provavelmente, a mudança será refletida e, praticamente tudo será diferente do que era nas gerações anteriores.

O processo de transformação de uma cultura é demorado, mas, depois que os principais alicerces de uma nova cultura são lançados e começam a dar seus frutos, as transformações podem ocorrer em um ritmo espantoso.

Basta olharmos as transformações ocorridas nos últimos anos em nosso país para que possamos perceber a velocidade, e a intensidade, das mudanças ocorridas em tão pouco tempo.

A velocidade das mudanças e transformações ocorridas em nosso tempo é fruto de uma das principais características da época e da cultura na qual nos encontramos na atualidade, a chamada Pós-modernidade.

Estado cultural que se formou a partir do final do século XIX. – A formação desse estado cultural, dessa nova estruturação da cultura, segundo o filósofo francês, teórico e defensor da condição pós-moderna, Jean-François Lyotard, é produto de “transformações que afetaram as regras dos jogos da ciência, da literatura e das artes” e, em consequência disso, transformou a nossa cultura, e todo o mundo.

A principal característica da pós-modernidade é a sua falta de fundamentos sólidos; seja nas questões religiosas, nas questões morais, éticas, estéticas, científicas, ou filosóficas, etc., em todas as áreas da cultura não existem mais princípios fixos, sólidos, inabaláveis, tudo está sujeito a mudanças rápidas e constantes, característica que levou o sociólogo polonês Zygmund Bauman a chamar a pós-modernidade de “Modernidade Líquida”, porque os líquidos têm a capacidade de assumir diferentes formas com rapidez e facilidade.

Assim, hoje, como consequência da quebra de paradigmas proposta pela cultura pós-moderna, sofremos com a inconstância, e a frequente mutabilidade dos princípios que regem o mundo, e isso será uma herança problemática que deixaremos para as próximas gerações, que irão crescer em um mundo onde a “solidez” dos princípios serão escassas, e a constância das leis que deveriam gerir nosso mundo serão, praticamente, inexistentes.

*Wanderson R. Monteiro
Dr. Honoris Causa em Literatura e Dr. Honoris Causa em Jornalismo.
Bacharel em Teologia, graduando em Pedagogia.
Acadêmico correspondente da FEBACLA. Acadêmico fundador da AHBLA. Acadêmico imortal da AINTE.
Autor dos livros “Cosmovisão em Crise: A Importância do Conhecimento Teológico e Filosófico Para o Líder Cristão na Pós-Modernidade”, “Crônicas de Uma Sociedade em Crise”, “Atormentai os Meus Filhos”, e da série “Meditações de Um Lavrador”, composta por 7 livros.
Autor de 10 livros.
Vencedor de 4 prêmios literários. Coautor de 15 livros e 4 revistas.
(São Sebastião do Anta – MG)

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