Deputado do PSL diz que centrão prometeu apoiar Previdência se Coaf sair das mãos de Moro

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SÃO PAULO – O deputado federal Luiz Lima (PSL-RJ) afirmou na manhã desta sexta-feira que se sentiu chantageado por deputados do chamado centrão durante a discussão sobre o destino do Conselho de Controle de Atividades Financeira (Coaf). Segundo ele, esses parlamentares tem dito ao governo que apoiarão a reforma da Previdência se o órgão de controle sair da alçada do Ministério da Justiça, comandado por Sergio Moro .

— A gente não tem opção, quer os dois. A gente não quer mais ministérios. Fomos chantageados: ou vocês querem a Coaf com Moro ou a Reforma da Previdência — disse, sem citar quais deputados estariam envolvidos nessa chantagem.

A ida do Coaf para o Ministério da Economia vinha sendo defendida por partidos do centrão, em especial PP e PR, que impuseram uma derrota ao governo ao conseguir aprovar a mudança na MP da reforma administração na comissão especial da Câmara, nesta quinta-feira.

A medida, agora, deverá ser analisada pelo plenário de Câmara e Senado.

Lima e outros deputados participaram de um evento de prestação de contas do RenovaBR, movimento de renovação política que elegeu 10 congressistas, em São Paulo, na manhã desta sexta-feira.

Nesta quinta-feira, procuradores da Lava-Jato disseram que a mudança no Coaf podem impactar nas investigações de corrupção. O órgão é responsável pela prevenção e combate à lavagem de dinheiro ao fazer a fiscalização de atividades financeiras suspeitas – como depósitos acima de R$ 10 mil, por exemplo.

Segundo ele, em reunião realizada na noite desta quinta-feira, o líder do governo, Major Vitor Hugo, e o líder do PSL na Câmara, Delegado Waldir, decidiram que o partido iria votar para manter o Coaf sob comando de Moro. De acordo com Lima, o presidente Bolsonaro também apoiou a posição do partido.

 No evento, Lima destacou que a maioria dos deputados eleitos pelo PSL são novatos, que ainda estão se acostumando à forma como as negociações funcionam no Congresso Nacional.

O parlamentar destacou que a posição dos deputados do PSL serve como proteção para que Bolsonaro não se torne refém de algumas das liderenças do centrão.

— Estamos lá para proteger o governo Bolsonaro, que fica refém de poucas pessoas do Congresso que têm um poder forte de articulação e mobilização, de deputados que são altamente fisiológicos e viciados no poder.

O governo tem um prazo para a aprovação da medida provisória que mudou a estrutura dos ministérios. A atual organização, feita logo na posse do presidente Bolsonaro vence no dia 3 de Junho. Se o Congresso não conseguir confirmar o texto da MP, a estrutura voltará a ser a mesma do governo Miichel Temer, com 29 ministérios, sete a mais do que os atuais 22.

Lima também elogiou a postura de partidos como o Cidadania, o Podemos e o Novo que defenderam, na comissão e no Plenário, a manutenção do órgão na Justiça.

Além de falar em chantagem, Lima provocou deputados do Centrão ao dizer que eles seriam leões no Congresso mas “gatinhos” na rua.

— Nós decidimos abraçar o que a opinião pública e nossos eleitores querem que a gente faça. A gente não pode de forma alguma permitir que o Coaf saia do ministério da Justiça — disse.

FONTE: OGLOBO

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