GILBERTO VERARDO – PSICÓLOGO HUMANISTA
As demandas sociais estão surgindo numa velocidade de fórmula um.
Não que tenhamos
deficiência de conhecimento, grana e estrutura para fazer frente a elas. Geramos mais
problemas que soluções.
E quais seriam os fatores que turbinam essa discrepância? Vai um
ponto de vista, que não é governamental.
De quem observa tudo a meia distância. Quase um
olhar de um ermitão urbanoide.
No livro de Thomas Kun, “A Estrutura das Revoluções científicas”, as crises surgem quando
os paradigmas (conjunto de pensamentos e conceitos) utilizados, não conseguem mais
responder as soluções para problemas ou crises que surgem na dinâmica social.
Trocando em
miúdo: muita conversa boa, mas de pouca resolutividade.
Nas coisas mais simples podem estar as soluções mais revolucionárias.
Mas, como tudo gira
em torno da famosa especialidade, a crença perde força e a dúvida cresce.
Pronto, é o
ambiente para a insegurança e a desconfiança.
O pequeno grande problema das
especialidades é que seu conjunto de conhecimentos e teorias ocorrem na direção vertical.
Isso quer dizer que uma hora ela acaba revelando sua limitação.
Caminha só.
Não se articula
com outros saberes.
Diferente do conhecimento sistêmico ou, como se referem os leigos,
holístico, o conhecimento é articulado com outras realidades.
É um conhecimento horizontal.
Um exemplo do conhecimento vertical vem da medicina.
O cardiologista não atende gente
com problemas no estômago ou no ouvido.
E assim por diante. Crianças tem que ter seu
especialista.
Quando não tem ou são difíceis de encontrar, pobres crianças.
Influenciada pelo modelo sistêmico, ou holístico como queiram, a Organização Mundial da
Saúde estabeleceu como conceito de saúde “um estado de completo bem-estar físico, mental
e social, e não somente ausência de afeções e enfermidades”.
O que vemos é uma supremacia
do modelo biomédico.
Aquele que tem suas práticas na intervenção clínica assentada no tripé
sintomas, remédios e hospitais.
Não está mais dando conta das demandas.
E não tem nada a
ver com aumento populacional.
O mais provável é que esta longeva crise, esteja sendo
pressionada pelas mudanças climáticas e por um modelo ultrapassado.
Além, é claro, de uma
categoria mal formada e resistente a uma atualização de suas práticas, que nada tem a ver
com o aparato tecnológico de suas práticas.
Focaram tanto nos distúrbios no corpo biológico, que diante da ação criminosa em Santa
Catarina, numa pequena creche no interior do país, a sociedade foi obrigada a recorrer ao
botão do pânico e câmeras “de segurança”.
Me lembra o livro “Admirável Mundo Novo”, de
Aldous Huxley.
Apressados demais em ser um capitalista selvagem, onde enriquecer é a prioridade, fomos
deixando de lado os remédios mais antigos e eficientes.
Não estou me referindo aos chás das
nossas avós.
Mas, das inesquecíveis brincadeiras de criança.
Como alimentavam sonhos,
fantasias e sociabilização! O mundo infantil hoje é entre quatro paredes, na frente de um
computador, longe da terra e das praças.
Enfim, a ludicidade humana se perdeu no mesmo
caminho que apareceu a competição desenfreada e a agressividade.
Gostaria de lembrar às “autoridades” que o lazer é o melhor botão do pânico.
Não
compreendo como menosprezaram esta mágica ferramenta de socialização. Lazer, arte e
cultura foram rebaixados a categoria de acessórios chic na sociedade capitalista de consumo.
Quer mudanças na matriz do comportamento coletivo? Comece e continue levando arte e
cultura para todas as praças.
Nada daqueles brinquedinhos idiotas de cama de pula-pula (não
sei se é o nome correto) , mas, geralmente quando querem fazer uma bondade na periferia,
colocam esses brinquedos inúteis com cachorro quente de segunda categoria para diversão da
criançada.
Um horror!
Arte, lazer cultural , teatro do bom, oficinas de artesanato com música pouco barulhenta e
que tenha boa mensagem em suas letras, podem ser os remédios que farmácias não vendem e
os governantes não controlam.
Tomara que a ministra Margareth Menezes não seja mais uma especialista.
Sonho que ela
utilizará a verba e a estrutura disponível, para competir, em saúde mental e social, com o
ministério da saúde. Agora, nada de querer resultados pra ontem.
Os efeitos desse remédio é
a médio prazo.
Desfazer-se desse condicionamento, de que tudo tem que ter resultado
imediato e com retorno político, não é tarefa fácil.
Mas, que funciona, funciona.
As pessoas
estão precisando relaxar e reaprender a brincar novamente.
É um santo remédio para o humor
das pessoas. Claro, do tecido social também.
Esse novo Secretário de Cultura de MS, parece estar mais preocupado com sua carreira
política, tal como um monte de pessoas que estão ocupando cargos vitais para o bem estar
coletivo.
E nós, contribuintes, obedientemente,, pagamos tais carreiras.




